
É bastante provável que você já tenha ouvido falar de cabos submarinos. Eles são usados em trechos de mar para ligar estações terrestres e, assim, transmitir sinais de telecomunicações por longas distâncias. Para isso, são instalados no assoalho oceânico.
Esses cabos recebem proteção mecânica adicional para que sejam instalados sob a água: normalmente, têm interior de aço e isolamento especial. Eles podem ser metálicos, coaxiais ou ópticos — os mais utilizados atualmente.
É comum que os cabos submarinos sejam utilizados em redes internacionais de telecomunicações para interligar países e continentes. No Brasil, o sistema é utilizado para interconectar toda a costa nacional.
Os primeiros cabos submarinos foram instalados há mais de 160 anos: foi na década de 1850, logo após a invenção da telegrafia sem fios (criada por Samuel Morse, em 1843). Inicialmente, então, essa rede foi usada para telefonia e, depois, para transmissão de dados.
Primeiras instalações
A primeira linha telegráfica foi estabelecida em 1844 entre Baltimore e Washington, DC, nos Estados Unidos. O financiamento veio do congresso americano e a primeira transmissão oficial foi: “What hath God wrought!” (Que obra fez Deus!).
Existem divergências quanto às datas, mas o primeiro cabo telegráfico submarino documentado foi lançado em 1851 no canal de Dover. Logo em seguida, surgiu a ideia de criar uma rede que atravessasse o Atlântico e permitisse que a tecnologia fosse usada para interligar diferentes continentes.
O primeiro sistema transnacional veio pelas mãos da Atlantic Telegraph Company, em 1857, para ligar a América do Norte e a Europa. Para isso, dois navios, um britânico e um americano, transportaram 2.500 milhas náuticas (4.630 km) de cabo, a partir da Irlanda. Infelizmente, entretanto, quando já haviam sido percorridos cerca de 750 km, o cabo se rompeu.
No ano seguinte, 1858, foi feita uma nova tentativa, mas depois do lançamento de 250 km de cabo, houve um novo rompimento. Ainda em 1858, outro teste foi feito: dessa vez, dois navios partiram do meio do Atlântico em direção a portos em lados opostos. O processo foi bem-sucedido e a mensagem “Glory to God in the highest, and on Earth, peace, good will to men” foi enviada.
Como a atividade ainda estava no início, o sistema era bastante lento e sua largura de banda permitia transportar apenas duas palavras por minuto. Além disso, poucas semanas depois, o cabo apresentou falhas em razão das voltagens utilizadas.
Passaram-se mais oito anos até que, finalmente, foram estabelecidas operações confiáveis entre a Europa e a América do Norte — o que ocorreu em 1866. Depois disso, muitos outros cabos submarinos metálicos foram instalados, mas ainda eram usados apenas para a transmissão de mensagens telegráficas.
Foram necessários mais 90 anos até a invenção do cabo submarino coaxial, em 1956. Com ele, tornou-se possível a comunicação entre vários indivíduos simultaneamente. Pouco mais de uma década depois, nos anos 1970, foram criados os cabos ópticos — eles se tornaram a melhor opção para a comunicação submarina e estão em uso atualmente.
Estrutura no Brasil
No Brasil, o primeiro cabo submarino foi inaugurado em 1857. Ele fez parte da primeira linha telegráfica brasileira e interligava a Praia da Saúde, no Rio de Janeiro, à cidade de Petrópolis. Eram 15 km de cabo submarino em uma linha cuja extensão total era de 50 km.
Em 1874, veio o primeiro cabo totalmente submarino do país; inaugurado por D. Pedro II, ele conectava Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém. No ano seguinte, foi criada a linha para ligar Recife, João Pessoa e Natal. Ainda em 1875, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, participou da organização e do financiamento da instalação do primeiro cabo submarino internacional no país; instalado pela British Eastern Telegraph Company, ele conectou o Brasil a Portugal.

Em anos recentes, outros cabos submarinos foram lançados para interligar o Brasil a várias partes do mundo. Os apresentados na figura acima são os principais deles.
Em 2021, foi inaugurado um cabo submarino de fibra óptica para ligar diretamente o Brasil à Europa – sem precisarem passar pelos Estados Unidos. O equipamento possui 6 mil quilômetros de extensão e conecta Fortaleza, no Brasil, com Sines, em Portugal, e conta ainda com passagens pela Guiana Francesa, Ilha da Madeira, Ilhas Canárias e Cabo Verde.
A era do cabo óptico
Os cabos submarinos atuais são de fibra óptica e permitem o transporte de todo tipo de informação digital — ou seja, telefone, internet e demais dados. Geralmente, eles têm 69 mm de diâmetro e pesam cerca de 10 kg por metro. Para águas profundas, no entanto, são usados cabos mais finos e leves. Todos os continentes, exceto a Antártida, são ligados por eles.
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