
Criar uma conta em rede social ainda na pré-adolescência pode estar ligado a um desempenho escolar inferior nos anos seguintes. Um estudo com mais de 5 mil estudantes italianos encontrou essa associação principalmente nas disciplinas de matemática e italiano.
Segundo pesquisa publicada na Nature Human Behaviour, o resultado permaneceu mesmo após considerar fatores como desempenho anterior, estrutura familiar e escolaridade dos pais.

Diferença aparece ao longo dos anos
Na prática, os alunos que adiaram a entrada nas redes sociais apresentaram vantagem equivalente a cerca de seis meses de aprendizagem em comparação com aqueles que criaram uma conta entre 11 e 12 anos.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados de 5.227 estudantes de 28 escolas do norte da Itália. O levantamento reuniu informações sobre o uso de redes sociais entre 2023 e 2024 e cruzou esses dados com os resultados de provas padronizadas de italiano, matemática e inglês.
A pesquisa identificou quatro pontos principais:
- desempenho inferior em matemática e italiano entre quem entrou mais cedo nas redes sociais;
- nenhuma diferença relevante nas notas de inglês;
- associação entre verificar o celular com frequência e resultados escolares mais baixos;
- menor supervisão dos pais entre os alunos que criaram contas mais cedo.
O que pode explicar esse resultado?
O estudo não conclui que as redes sociais sejam a causa direta da queda no desempenho escolar. Ainda assim, os autores controlaram fatores que poderiam influenciar os resultados, como o rendimento anterior dos estudantes e características familiares.
Para Marco Gui, pesquisador da Universidade de Milano-Bicocca e primeiro autor do estudo, já existem indícios consistentes de que o uso precoce dessas plataformas merece atenção. “Acho que agora sabemos que existe um problema e que ele é complexo, relacionado à forma como essas plataformas são construídas”, afirmou.
Na avaliação do pesquisador, um dos possíveis mecanismos é o estado permanente de atenção provocado pelos aplicativos. “Especulamos que um dos mecanismos seja esse estado contínuo de alerta que as redes sociais usadas no smartphone exercem sobre a vida dos menores”, explicou.

Associação exige cautela
Os autores ressaltam que a pesquisa é observacional e, portanto, não comprova uma relação de causa e efeito. Ainda assim, a associação entre o uso precoce das redes sociais e o desempenho mais baixo em matemática e italiano permaneceu consistente ao longo da análise.
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O estudo também observa que a vantagem dos alunos que adiaram a criação de contas corresponde aproximadamente à metade do ganho normalmente associado a programas intensivos de reforço escolar. A comparação foi usada apenas para dimensionar a diferença encontrada.
Os pesquisadores defendem que os resultados reforçam a necessidade de orientar famílias e escolas sobre o uso das redes sociais na pré-adolescência. Ao mesmo tempo, apontam que tornar essas plataformas menos dependentes de mecanismos que estimulem o acesso constante pode contribuir para reduzir esse impacto.

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