Olhar Digital
Olhar Digital
Internet e Redes Sociais · 25 de setembro de 2025 · 3 min de leitura ·

Instagram ainda mostra conteúdos perigosos a jovens, diz pesquisa

Instagram ainda mostra conteúdos perigosos a jovens, diz pesquisa

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

Um estudo recente apontou que as ferramentas de segurança do Instagram, voltadas para adolescentes, falham em proteger os jovens de conteúdos nocivos. Segundo a pesquisa, perfis de teste criados como se fossem de menores de idade continuaram a receber recomendações de postagens sobre suicídio, automutilação e distúrbios alimentares, além de incentivo a comportamentos sexualizados.

Os resultados reacendem o debate sobre o papel das big techs na proteção de crianças e adolescentes. A Meta, dona do Instagram, nega as conclusões do estudo e afirma que os recursos funcionam para reduzir riscos.

No entanto, especialistas e entidades de proteção à infância dizem que as falhas reforçam a necessidade de leis mais duras para responsabilizar as plataformas digitais.

Proteção de crianças e adolescentes em redes sociais vira alvo de críticas e novas leis

A pesquisa internacional que revelou brechas no Instagram se soma a um cenário de pressão crescente sobre as redes sociais.

Mulher jovem usando celular
Especialistas e organizações de proteção à infância alertam para riscos ligados à exposição de jovens a conteúdos nocivos em redes sociais (Imagem: Dragana Gordic/Shutterstock)

De um lado, especialistas e organizações de proteção à infância alertam para riscos ligados à exposição de jovens a conteúdos nocivos. De outro, governos avançam em legislações que impõem novas obrigações às plataformas, numa tentativa de frear práticas vistas como nocivas ao bem-estar de crianças e adolescentes.

Pesquisadores denunciam exposição a conteúdo nocivo e sexualização

O estudo, conduzido pelo centro Cybersecurity for Democracy em parceria com grupos de proteção infantil como a Molly Rose Foundation, analisou 47 ferramentas de segurança para adolescentes no Instagram.

O resultado foi preocupante: 30 dessas ferramentas foram consideradas ineficazes ou deixaram de existir, outras nove apresentaram limitações e apenas oito funcionaram de forma adequada. Isso significa que jovens ainda conseguem acessar conteúdos que a própria plataforma afirma banir.

Entre os problemas identificados estavam postagens descrevendo atos sexuais degradantes, sugestões automáticas de buscas relacionadas a suicídio, automutilação e transtornos alimentares.

adolescente usando instagram
Após analisar 47 ferramentas de segurança para adolescentes no Instagram, o estudo trouxe conclusões preocupantes (Imagem: Ko Aun Lee/Shutterstock)

Além disso, o estudo apontou interações nas quais adolescentes eram incentivados a publicar conteúdos que atraíam comentários sexualizados de adultos. Os pesquisadores registraram casos de crianças que aparentavam ter menos de 13 anos pedindo avaliações de sua aparência em vídeos, por exemplo.

Para especialistas, esses achados revelam uma falha estrutural na forma como o Instagram lida com a segurança de jovens. Andy Burrows, da Molly Rose Foundation, disse à BBC que os problemas apontam para uma “cultura corporativa que coloca engajamento e lucro acima da proteção”.

A fundação foi criada após a morte de Molly Russell, adolescente britânica de 14 anos que se suicidou em 2017 após contato frequente com conteúdos nocivos em redes sociais.

Meta contesta e diz que proteções para jovens funcionam

A Meta rejeitou as conclusões do estudo e afirmou que o relatório distorce o funcionamento das ferramentas.

Instagram
Recursos de segurança para adolescentes no Instagram garantem proteções automáticas e oferecem controles parentais mais claros, diz a Meta (Imagem: Mitriakova Valeriia / Shutterstock) – Imagem: Mitriakova Valeriia/Shutterstock

Segundo a empresa, os recursos de segurança para adolescentes garantem proteções automáticas, reduzem a exposição a conteúdo sensível e oferecem controles parentais mais claros.

Compartilhe