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Internet e Redes Sociais · 19 de setembro de 2023 · 4 min de leitura ·

Pais acusam algoritmo do TikTok de contribuir para suicídio da filha; entenda

Pais acusam algoritmo do TikTok de contribuir para suicídio da filha; entenda

TikTok logo

Os pais de uma adolescente de 15 anos entraram com um processo contra o TikTok após o algoritmo da rede, segundo eles, contribuir para a piora do quadro emocional da filha, que acabou tirando a própria vida. Segundo informações da agência RFI, essa é a primeira vez que uma ação do gênero é movida no país.  

O que você precisa saber: 

  • O caso aconteceu em 2021 na França; 
  • A vítima, chamada Marie, sofria bullying na escola devido ao seu peso; 
  • Poucos dias antes de cometer suicídio, a estudante postou no TikTok um vídeo desabafando sobre o assédio que sofria; 
  • Conforme o funcionamento do algoritmo do TikTok, considerado um dos melhores para entrega de conteúdo, outros vídeos com o mesmo assunto foram atraídos para o feed da jovem; 
  • Para os pais, isso agravou o desespero da filha. 

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É evidente que o TikTok tem sua parte de responsabilidade no que aconteceu. 

A advogada ressaltou ainda que a jovem foi muito explícita ao falar de seu sofrimento na época e, “pelo algoritmo, recebeu um volume importante de vídeos sobre o mesmo tema, que só podem tê-la levado a se sentir ainda pior”. 

Os pais de Marie abriram um processo por “incitação ao suicídio”, “propaganda sobre meios de se suicidar” e “não atendimento a pessoa em perigo”. Uma investigação por assédio escolar também foi aberta após a morte da adolescente. 

Lidando com adolescentes e redes sociais

Em entrevista exclusiva ao Olhar Digital, Jaime Ribeiro, CEO e cofundador da Educa e especialista em desenvolvimento humano, explicou que o uso das redes sociais de fato amplificam as pressões sociais enfrentadas no dia a dia, levando pessoas a compararem suas vidas com as dos outros, agravando sentimentos de inadequação e baixa autoestima.

No caso dos mais jovens, o risco é considerado maior devido à vulnerabilidade que eles apresentam, estando expostos a atos de cyberbullying e outros tipos de violência infantil. A coleta de dados de menores por plataformas como o TikTok também é um ponto frequentemente debatido, sem mencionar a exposição sem controle dos pais a conteúdos nocivos.

deepfake
Imagem: Ground Picture/Shutterstock

Então crianças e adolescentes não devem acessar as redes sociais?

Segundo Ribeiro, não é bem por aí. Na era em que vivemos, diversas tarefas escolares requerem o uso da internet, sem mencionar a evolução da sociedade como um todo que coloca as chamadas gerações Z e Alfa como nativos digitais, estando totalmente integrados a tendência on-line e tendo facilidade com qualquer recurso tecnológico.

As redes sociais podem atuar como facilitadores para a socialização dos jovens, portanto, não se deve retirar esse recurso social, mas, sim, ensinar como fazê-la. Para isso, é preciso promover o diálogo aberto sobre os limites do uso da internet, estabelecer combinados claros entre os familiares, em especial quando se entrega uma ferramenta digital para ser usada, acertando o que se deve ou não fazer com aquele recurso.

A escola também desenvolve um papel importante na relação internet e adolescentes. Embora a expressão bullying seja relativamente nova, os casos de assédio escolar não são. Assim como é necessário o suporte e atenção em casa, a figura dos educadores e líderes escolares deve ser ativamente presente no dia a dia.

A escola deve promover treinamentos e instaurar uma cultura de tolerância zero para tais comportamentos agressivos. E tão importante quanto essa conscientização, a escola também deve oferecer um ambiente seguro de apoio emocional aos alunos, estando lado a lado da família para garantir que do portão para fora, também exista uma política anti-bullying.

Aos pais, o educador pontuou que “o olhar ativo é a chave” para notarem que algo está errado.

É importante conhecer o próprio filho no sentido de estar familiarizado com seu comportamento habitual, para assim, identificar mudanças súbitas no comportamento emocional, como tristeza intensa ou raiva, o isolamento social, a perda de interesse em atividades sociais, problemas de sono, queda no desempenho escolar e lesões inexplicadas.

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