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Internet e Redes Sociais · 11 de agosto de 2026 · 4 min de leitura ·

Pais estressados recorrem mais às telas para acalmar os filhos, aponta estudo

Pais estressados recorrem mais às telas para acalmar os filhos, aponta estudo

Pais sob estresse tendem a recorrer mais a telas e dispositivos para manter os filhos ocupados ou acalmá-los e, ao mesmo tempo, são menos propensos a estabelecer limites para o tempo de uso. Essa é a principal conclusão de um estudo realizado pelo Center for Children and Families, da Florida International University (FIU) (EUA).

A pesquisa analisou 822 cuidadores de crianças entre quatro e oito anos, que responderam a questionários on-line sobre o comportamento dos filhos, o estresse relacionado à criação das crianças e as estratégias utilizadas para administrar o tempo de tela.

Os resultados indicam que, quando o comportamento da criança é percebido como mais difícil, os pais tendem a permitir mais tempo diante das telas. Nessas situações, os limites de uso também costumam ser menos aplicados.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que o uso de telas não deve ser encarado como uma falha na criação dos filhos. Especialistas recomendam que as famílias encontrem um equilíbrio que leve em conta a idade da criança, o conteúdo consumido e a rotina familiar.

Por que pais estressados recorrem às telas

  • As telas podem funcionar como uma ferramenta para manter crianças ocupadas enquanto os pais realizam outras tarefas ou simplesmente precisam de um intervalo;
  • Isso pode ser especialmente comum durante as férias escolares, quando a rotina das famílias muda. Com a aproximação da volta às aulas, entretanto, crianças e pais precisam novamente se adaptar a horários mais rígidos, incluindo acordar cedo, frequentar as aulas e fazer lição de casa;
  • Jeff Temple, professor e psicólogo da UTHealth Houston, que não participou do estudo da FIU, afirma ao CNET que as telas podem ser uma das ferramentas utilizadas pelas famílias para lidar com a rotina;
  • Segundo ele, o problema pode surgir quando a estrutura mais flexível das férias não é ajustada novamente à rotina do período escolar.

Shayl Griffith, professora-assistente do Departamento de Aconselhamento, Recreação e Psicologia Escolar da FIU e autora principal do estudo, afirmou que os pais não devem ter medo de pedir ajuda quando precisarem.

A recomendação da pesquisa é priorizar conteúdos e experiências digitais que sejam significativos, envolventes e adequados à idade da criança.

“Quando os cuidadores têm os recursos de que precisam, conseguem estabelecer limites mais consistentes e interagir com seus filhos de maneiras que promovem um desenvolvimento saudável”, afirmou Griffith.

Nem todo tempo de tela é igual

A preocupação com o uso de dispositivos por crianças vem crescendo, mas especialistas destacam que os efeitos dependem de fatores, como idade, conteúdo e forma de utilização.

Em janeiro, a Academia Americana de Pediatria (AAP, na sigla em inglês) publicou análise sobre as relações entre uso de mídias digitais e desenvolvimento de crianças e adolescentes, com objetivo de ajudar a estabelecer regras e acompanhar o comportamento relacionado às telas.

Para crianças pequenas, conteúdos educacionais de boa qualidade podem trazer benefícios relacionados a comportamentos sociais e linguagem, principalmente quando um cuidador acompanha o que está sendo exibido e interage com a criança.

Por outro lado, o uso prolongado de tablets por crianças pequenas está associado a problemas, como explosões de raiva, segundo a AAP.

Entre crianças em idade escolar, de seis a 12 anos, mídias digitais educacionais utilizadas de maneira moderada também podem ser benéficas. O excesso, porém, pode estar associado a menor desempenho acadêmico, dificuldades de controle da atenção e impactos na cognição.

Também existem conteúdos considerados problemáticos, como aplicativos que incentivam compras, jogos com pouco valor educacional e materiais perigosos ou de risco.

A preocupação também se estende aos dispositivos fornecidos pelas próprias escolas, quando eles permitem acesso a videogames, vídeos e outras plataformas capazes de distrair os estudantes.

grupo de adolescentes no celular
Preocupação com o uso de dispositivos por crianças vem crescendo, mas especialistas destacam que os efeitos dependem de fatores, como idade, conteúdo e forma de utilização – Imagem: Xavier Lorenzo/Shutterstock

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