

Plataformas como Roblox, Discord, YouTube, TikTok e ChatGPT anunciaram que poderão exigir verificação de idade por meio de selfies ou documentos de identidade. A mudança acontece porque vários países têm pressionado as plataformas digitais a restringirem o acesso de crianças e adolescentes para evitar riscos de exploração sexual e danos à saúde mental.
O movimento acontece em paralelo ao ECA Digital, legislação que entrará em vigor em março de 2026 no Brasil. Ela obriga os sites e aplicativos a conferirem a idade dos usuários sempre que houver conteúdos que não sejam adequados para menores.
Como aplicativos usam tecnologia para conferir a sua idade
Não existe apenas um jeito de descobrir a idade de alguém na internet, por isso cada empresa escolhe um método. YouTube, TikTok e ChatGPT, por exemplo, usam inteligência artificial (IA) para observar como a pessoa navega para, a partir disso, tentar estimar quantos anos ela tem. Já o Roblox e o Discord pedem a verificação quando o usuário tenta usar ferramentas que podem ser perigosas, como o chat.

Empresas costumam aceitar três formas de prova: uma selfie para análise do rosto, o uso de um cartão de crédito para provar que é adulto ou o envio de um documento oficial com foto. O Roblox e o ChatGPT, por exemplo, usam um sistema chamado Persona, que analisa a distância entre os olhos e o formato do nariz para saber se a selfie combina com o documento enviado. O Discord usa o sistema k-ID, que processa a imagem no dispositivo do usuário e permite validar a idade automaticamente caso ela já tenha sido confirmada em redes parceiras.
Essas tecnologias, porém, ainda não são perfeitas e enfrentam o desafio das deepfakes, imagens falsas geradas por meio de IA para enganar sistemas. Um estudo feito na Austrália mostrou que essas ferramentas erram mais quando tentam adivinhar a idade de crianças e pré-adolescentes. Isso acontece porque o rosto dos jovens muda muito rápido e existem menos dados de crianças para “treinar” a IA.
Por causa dessas falhas, a verificação de idade é vista como um trabalho em constante melhoria, mas que já ajuda a criar uma camada extra de proteção. Além da tecnologia, especialistas reforçam que os pais e responsáveis precisam usar ferramentas de controle e manter conversas abertas com os filhos. O objetivo é garantir que as redes sociais sejam responsabilizadas e que o ambiente digital se torne mais seguro para os menores de idade.
Relembrando cada caso:
- O YouTube e a OpenAI anunciaram a novidade em janeiro. A adoção do sistema para identificar menores de idade vale em todos os países.
- No caso do TikTok, a mudança é válida apenas na Europa por enquanto.
- Também em janeiro, a plataforma de jogos Roblox passou a exigir verificação de idade para ingressar no chat. A decisão gerou protestos virtuais dentro do jogo.
- O caso mais recente é do Discord. A empresa anunciou nesta segunda-feira (9) a ampliação de um conjunto de recursos voltados à segurança de adolescentes, com mudanças que passam a valer por padrão para usuários da plataforma no mundo todo. Uma delas é a verificação de idade. A implementação dos recursos acontece de forma gradual a partir do início de março.
ECA Digital
ERRATA:
Caro leitor, inicialmente escrevemos que o governo brasileiro planeja subir a idade mínima para que jovens possam ter contas em redes sociais e usar chatbots com IA. Mas a explicação acabou ambígua. Não se trata de um bloqueio, como em outros países. Vamos entender nas próximas linhas:
- O governo federal vai aumentar a idade mínima recomendada para o acesso de crianças e adolescentes às redes sociais e chatbots de inteligência artificial. A mudança, que passa a valer em março, faz parte da implementação do ECA Digital, lei sancionada em setembro, e será acompanhada de um novo Guia de Classificação Indicativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
- Em outras palavras, a ideia é que as famílias sejam consultadas. No Brasil, a exigência que o ECA Digital traz é que, para se ter conta numa rede social antes dos 16 anos, exista uma vinculação com o adulto responsável para que esse adulto responsável possa exercer o controle familiar, a supervisão familiar.

(Essa matéria também usou informações de G1.)

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.
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