Olhar Digital
Olhar Digital
Internet e Redes Sociais · 16 de maio de 2023 · 3 min de leitura ·

TikTok: perfis exploram usuários da Cracolândia por dinheiro e fama

TikTok: perfis exploram usuários da Cracolândia por dinheiro e fama

TikTok logo

Com o boom das redes sociais e a incessante busca por visualizações, seguidores e dinheiro nessas plataformas, muitos usuários extrapolam a moralidade e o que é considerável por nossa sociedade para obter essas coisas.

Uma rede visada para isso é o TikTok, famosa por suas lives e vídeos – e influencers desesperados por tudo que citamos no primeiro parágrafo.

Leia mais:

E um caso recente chamo a atenção: um perfil, de nome Jasmine Carter, transmitia, ao vivo, de uma das várias janelas nas ruas que circundam a Cracolândia, em São Paulo (SP), um grupo de usuários de drogas presente no local.

Além disso, ela propagou fake news, ao afirmar que o governo possui auxílio chamado “Bolsa Crack de R$ 700 e pouco”. Também prometeu que, caso chegasse aos dez mil seguidores, jogaria moedas para o grupo. Alguns seguidores faziam piadas.

Porém, ela não alcançou seu objetivo e, de quebra, teve sua conta banida na quarta-feira (10), quando o conteúdo viralizou no Twitter. O vídeo em si rendeu 250 mil curtidas.

Entrei no TikTok à noite, bem na hora da live dela, peguei uma parte dela rindo dos usuários sob efeito de K9, e, depois, comemorando o tanto de visuzalizações. Saí com a sensação de ter visto um episódio muito triste de ‘Black Mirror’ [série de TV].

A citação do usuário à série britânica de TV da Netflix, “Black Mirror”, calha, pois a produção aborda, em realidade distópica, aspectos sombrios da vida de seus personagens, sendo que, em muitas das vezes, o enredo de sofrimento é provocada pela tecnologia.

Outros casos

O perfil de Jasmine não está sozinho na exploração de tragédias por fama e dinheiro. Um motociclista filmou usuários na Cracolândia e a musicalizou com a canção “Ilusão (Cracolândia)”, de MC Hariel, além de comentar: “Cena apocalíptica”.

Foram 4,6 milhões de visualizações e 223 mil curtidas. Outra postagem similar foi postada em 30 de março e recebeu 6,8 milhões de visualizações, 223 mil curtidas e 5,3 mil comentários: “Não é um filme de zumbi, é a Cracolândia no Centro de São Paulo”, comentou.

Outro vídeo na plataforma mostra GCMs (Guardas Civis Metropolitanos) em ação de limpeza das ruas nas quais os usuários permanecem e dão vida à Cracolândia. Isso é algo rotineiro na vida dos policiais, mas quem postou o vídeo quis brincar com a situação. “Zumbis ladrões na Cracolândia”, escreveu. O registro é de 23 de abril, um domingo. São 5,6 milhões de visualizações, 146,9 mil curtidas e 1,2 mil comentários.

Remuneração

Recentemente, o TikTok passou a remunerar os criadores de conteúdo, porém, não se sabe quais os valores praticados pela plataforma. A maneira de isso ser feito é via apoio dos seguidores, que enviam “presentes virtuais” aos criadores de conteúdo, comprados com dinheiro real.

O usuário efetua a compra de moedas, que podem ser trocadas por figurinhas, que são os “Presentes virtuais”. O pacote mais barato de moedas custa R$ 0,90 e vem com 12.

No mundo, o TikTok possui cerca de um bilhão de usuários com contas ativas. No Brasil, porém, a rede não faz essa contabilização.

Violação dos direitos humanos

A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Priscila Akemi Beltrame, há clara violação de direitos humanos nos conteúdos publicados na rede social sobre a Cracolândia. “A população vulnerável tem direito à privacidade”, alerta.

Compartilhe