Olhar Digital
Olhar Digital
Internet e Redes Sociais · 28 de junho de 2021 · 3 min de leitura ·

YouTube restaura vídeos de canal que denuncia abusos de diretos humanos em província chinesa

YouTube restaura vídeos de canal que denuncia abusos de diretos humanos em província chinesa

Bandeira da China

A plataforma de vídeos YouTube voltou atrás de sua decisão e decidiu restaurar grande parte dos vídeos removidos do canal Atajurt Kazakh Human Rights, que denuncia abusos de direitos humanos do governo da China contra uigures e cazaques na província de Xinjiang.

Em 15 de junho deste ano, o canal Atajurt Kazakh Human Rights, que publicou quase 11 mil vídeos e totaliza mais de 120 milhões de visualizações desde 2017, informou que o YouTube havia desativado todos os conteúdos de sua plataforma.

Isso porque grande parte dos vídeos exibiam carteiras de identidades de pessoas — o que vai de desencontro com as políticas do YouTube — desaparecidas residentes da província chinesa. No entanto, três dias após a data, o canal havia sido reestabelecido, segundo a Reuters.

Apesar disso, parte dos vídeos do canal de Atajurt ainda permanecem indisponíveis. O YouTube supostamente teria pedido ao canal para ocultar as identificações nos vídeos, mas o administrador teria afirmado que a ação prejudicaria a credibilidade do canal.

ONU estima que pelo menos 1 milhão de uigures estão sendo mantidos em campo de internamento na província chinesa. Foto: Jonathan_Densford/Shutterstock

Leia mais:

Vale lembrar que Atajurt foi elogiado por organizações como a Human Rights Watch por exibir violações de direitos humanos. A MIT Technology Review, por sua vez, reforçou o trabalho do canal que consiste na publicação de testemunhos de familiares de pessoas detidas em campos de internamento de Xinjiang.

Para justificar a decisão, um porta-voz do YouTube afirmou que a política da empresa “proíbe claramente conteúdos que revelem informações de identificação pessoal de alguém, incluindo sua identificação governamental ou números de telefone” e que as regras são aplicadas “igualmente para todos”. No entanto, segundo a fonte, a plataforma reconheceu que a real intenção do canal Atajurt Kazakh Human Rights não era de expor os dados de forma maliciosa.

“Após uma análise cuidadosa da apelação, restabelecemos o canal e estamos trabalhando com a Atajurt Kazakh para explicar nossas políticas para que eles possam tomar as melhores decisões para seu canal“, disse o porta-voz.

Enquanto não se chega a um acordo sobre a retomada de todos os vídeos do canal no YouTube, Atajurt Kazakh se adianta e está fazendo um backup de seus conteúdos na plataforma de vídeos baseada em blockchain Odysee.

Fonte: The Verge/Reuters

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

Igor Shimabukuro é redator(a) no Olhar Digital

Compartilhe