Depois dos chips, empresas de IA agora disputam HDs e SSDs

A expansão acelerada da inteligência artificial começa a gerar efeitos colaterais fora do radar do consumidor comum. Depois de pressionar o mercado de chips, memórias e placas aceleradoras, a demanda dos data centers agora alcança um dos pilares mais básicos da computação: o armazenamento.
Relatórios recentes do setor indicam que empresas focadas em IA estão absorvendo volumes cada vez maiores de discos rígidos e SSDs corporativos, reduzindo a oferta disponível e elevando prazos de entrega a níveis inéditos. O impacto pode chegar ao usuário final mais cedo do que se imaginava.
Fabricantes de hardware e semicondutores já vinham enfrentando dificuldades para acompanhar a explosão de pedidos vindos de projetos de IA. Agora, o problema começa a aparecer também nos sistemas de armazenamento. Segundo dados do mercado asiático, o tempo de entrega de discos rígidos empresariais já ultrapassa dois anos em alguns casos.
Diante desse cenário, muitas empresas de IA decidiram não esperar pela normalização do fornecimento de HDs. A alternativa tem sido migrar rapidamente para SSDs, mesmo que isso implique mudanças no perfil de desempenho. Para conter custos, essas companhias estão priorizando unidades baseadas em memória QLC NAND, mais baratas, porém menos duráveis e velozes que as versões TLC.
Esse movimento, embora estratégico para os data centers, cria um novo ponto de tensão: a maior parte dos SSDs voltados ao mercado consumidor já utiliza QLC justamente para manter preços acessíveis. Com a indústria disputando o mesmo tipo de componente, a pressão sobre a cadeia produtiva se intensifica.

Analistas do setor avaliam que a demanda concentrada em SSDs QLC por grandes operadores de data centers nos Estados Unidos, Canadá e China pode resultar em escassez para o varejo. Caso isso se confirme, os preços de unidades de armazenamento para PCs e notebooks tendem a subir, agravando um cenário já marcado por hardware caro.
Fonte: Tecnoblog
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