
Na quarta-feira passada (27), uma ambiciosa inciativa de entidades da indústria automotiva e da indústria de cana de açúcar foi apresentada. É seu plano nacional para a descarbonização: o movimento MSBC (Mobilidade Sustentável de Baixo Carbono). E, nesse plano, ainda que com ressalvas, o Brasil não tem realmente um espaço significativo para o carro elétrico. As fichas devem estar com a biomassa: álcool e biodiesel, e em motores a combustão.
O movimento é composto por pesos-pesados da indústria. Encabeçam a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), a Sociedade de Engenharia Automotiva (SAE Brasil). E a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
O MSBC é um movimento explicitamente em prol da biomassa. A mensagem principal da apresentação é que a tendência mundial de eletrificação não é algo ao que o Brasil deva simplesmente aderir, mas seguir um caminho diferente. Pelo contrário, até, o Brasil deve intervir no processo mundial, levando a biomassa (e potencialmente a permanência de motores a explosão) a outros países.
A parte principal da apresentação foi feita por Ricardo Simões de Abreu, que é consultor de mobilidade da União da Indústria da Cana de Açúcar. Abreu trouxe números para mostrar que os veículos a combustão interna ainda devem durar muito tempo no Brasil. No gráfico abaixo, a evolução usada como base dos planos do MSBC:
“Muitas vezes a gente escuta que o mundo todo está abandonando motores de combustão interna e a gente não pode entender as coisas dessa forma”, afirmou em outra parte da apresentação Gábor Deák, presidente do Sindipeças. “Motores a combustão interna ainda vão equipar a frota circulante por muito tempo.”
Põe tempo nisso. O gráfico diz que, em 2035, enquanto países como o Canadá afirmam que terão banido não elétricos, o Brasil teria circulando 82% de veículos com motor a combustão pura. Desses, 78% flex e 4% ainda a combustíveis fósseis obrigatórios. Entre os considerados elétricos, entram 9% de “híbridos leves” (MHEV), carros a combustão que possuem motores elétricos auxiliares, mas nunca se movem pela força da eletricidade – na prática, um motor a combustão avançado.
Entre para comentar.