Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 22 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Aerotráfico: traficantes queriam ter empresa aérea própria para garantir transporte de cocaína entre Brasil e Portugal

Aerotráfico: traficantes queriam ter empresa aérea própria para garantir transporte de cocaína entre Brasil e Portugal

Um grupo de criminosos que operava uma rede de tráfico de drogas entre Portugal e Brasil planejava adquirir uma empresa aérea privada para garantir pelo menos três viagens mensais à Europa com cocaína a bordo. Segundo informações da CNN Portugal, a descoberta se deu durante a Operação Descobrimento, deflagrada na manhã da terça-feira (19) para desarticular um grupo especializado no tráfico internacional de cocaína.

O plano foi elaborado por dois sócios e membros da rede composta por pessoas de Brasil e Portugal — entre fornecedores de cocaína, mecânicos de aviação, advogados, transportadores e doleiros. De acordo com informações do Gise (Grupo Especial de Investigações Sensíveis), ligado à PF, a dupla chegou a redigir um contrato de compra e venda para adquirir a Omni Aviação, uma empresa aérea de jatos privados com sede em Oeiras, próxima de Lisboa.

O acordo firmado em 10,7 milhões de euros (em torno de R$ 55 milhões) previa que uma das pessoas envolvidas na rede fretasse um avião Falcon 900 pelo menos três vezes por mês para levar cocaína do Brasil para Portugal. O transporte seria camuflado por meio de voos executivos da Omni, enquanto o contrato seria realizado em nome de uma empresa de advogados cujo proprietário é um dos suspeitos da organização.

Segundo a CNN, um dos sócios que tentaram comprar a Omni foi o advogado e lobista Rowles Magalhães, preso pela PF em São Paulo na última terça-feira (19). Magalhães já foi investigado pela PF em 2017 durante a operação Descarrilho, que apurou um esquema de fraude, propina e lavagem de dinheiro na licitação da Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma obra que seria feita na região metropolitana de Cuiabá para atender à demanda da Copa do Mundo de 2014.

A Operação Descobrimento cumpriu sete mandados de prisão em São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco e Bahia, onde as investigações do esquema começaram. Além disso, foram realizadas duas prisões preventivas nas cidades do Porto e Braga, em Portugal, e outros 46 mandados de busca e apreensão — 43 no Brasil e três na Europa.

Entre as pessoas envolvidas no esquema, estavam o ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Nilton Borges Borgato, e a doleira Nelma Kodama, primeira delatora da Operação Lava Jato em 2014.

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