
Não se compara à perda de vidas humanas, ou ao desastre econômico da guerra, mas não deixa de ser notícia triste: no último domingo, o maior avião do mundo, o Antonov An-225 Mriya, foi destruído no hangar nas proximidades de Kiev.
Criado em 1988 como parte do programa espacial soviético, era o avião mais pesado a sair do chão e o maior cargueiro do mundo. Por esses critérios, peso e carga, o Mriya (“sonho” em ucraniano) superava de longe a concorrência.
Mas aviões sobreviventes podem ser considerados maiores que o falecido An-225 por outros critérios, como altura, comprimento, envergadura (largura medida nas asas). Veja como eles se comparam ao próprio.
O An-225 Mriya (“sonho” em russo e ucraniano) foi criado para carregar a versão soviética do ônibus espacial, o Buran, que chegou a viajar ao espaço, mas sem passageiros. Com o fim da URSS, ficou abandonado por anos até ser posto para trabalhar de volta pelos ucranianos. O único exemplar completo acabou destruído num incêndio causado pelo combate – russos e ucranianos se acusam mutuamente. Um segundo exemplar, em construção, já havia sido destruído dias antes. A Ucrânia diz que vai reconstruir e os russos irão pagar.
Criado na Guerra do Vietnã como um transporte ultrapesado a jato e intercontinental (tudo novidade na época), segue até hoje como o maior burro de carga das forças armadas dos Estados Unidos, usado em todas as guerras do país. Pode levar até 2 tanques M1A1 Abrams ou um tanque e dois veículos de combate de infantaria M2 Bradley. Leva normalmente 72 soldados, mas, em tese, numa guerra braba mesmo, poderia levar mais de 1000: era esse o projeto para uma versão civil dele. Outra versão é usada para abastecimento aéreo.
O maior avião militar do mundo e também o maior cargueiro civil vem dos mesmos criadores do An-225 e tem várias semelhanças com ele (o 225 é uma versão crescida do 124). O projeto começou em 1970, para substituir os cargueiros turboélice An-22. A URSS tinha ficado em séria desvantagem em matéria de transportes após a criação do jato americano Lockheed C-5 galaxy em 1968, e o resultado foi um avião ainda mais descomunal. Foi produzido em série, diferente do An-225, com 55 exemplares criados, e é usado, além das forças armadas russas, por empresas civis da Rússia, Ucrânia e Emirados Árabes. Até 2014, Rússia e Ucrânia planejavam retomar sua produção em conjunto, mas o acordo naufragou junto com as relações entre os dois países.
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