
O Brasil, reconhecido por suas vastas riquezas minerais como minério de ferro, ouro e pedras preciosas, destaca-se por ser um dos únicos países a extrair nióbio em larga escala. Este metal de nicho, amplamente utilizado para fortalecer ligas metálicas, está ganhando nova atenção como matéria-prima essencial para a transição energética global, especialmente em baterias para veículos elétricos.
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), principal produtora global de nióbio, está na vanguarda das novas aplicações deste elemento químico. Com sede em Araxá, Minas Gerais, a CBMM é responsável por aproximadamente 75% da oferta mundial de nióbio.
A produção de nióbio é altamente concentrada, com o Brasil fornecendo cerca de 90% da produção mundial, o que levanta questões estratégicas e geopolíticas. O Serviço Geológico dos EUA classifica o nióbio como o segundo mineral mais crítico, com 90% da produção total vindo do Brasil.
Um relatório do Center for Strategic and International Studies (CSIS) de Washington DC destaca o envolvimento chinês na produção de nióbio e o potencial uso militar do metal como motivos para os EUA estarem atentos. “No grande tabuleiro de xadrez da geopolítica de defesa, o nióbio emergiu como uma peça de importância primordial,” dizem os pesquisadores.
A CBMM está explorando o uso do nióbio em baterias de veículos elétricos. No próximo mês, a empresa irá revelar o primeiro ônibus elétrico do mundo com uma bateria contendo óxido de nióbio, em parceria com a Volkswagen e a Toshiba. A expectativa é que veículos comerciais equipados com essas baterias estejam em circulação até 2025.
O nióbio pode substituir o grafite no ânodo das baterias, permitindo um carregamento mais rápido e reduzindo o risco de superaquecimento e explosões. No cátodo das baterias de níquel, pequenas quantidades de nióbio podem diminuir a necessidade de cobalto, um material cuja extração na África tem sido associada a abusos dos direitos humanos.
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