Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 1 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Executivo da Stellantis diz que mercado de automóveis pode colapsar se elétricos não ficarem mais baratos

Executivo da Stellantis diz que mercado de automóveis pode colapsar se elétricos não ficarem mais baratos

Arnaud Deboeuf, diretor de fabricação da Stellantis, revelou algumas de suas impressões sobre a decisão da União Europeia de eliminar gradualmente os veículos a combustão em favor dos veículos elétricos (EVs). De acordo com o executivo, é possível que ocorra um colapso no setor automotivo, diante de tamanho desafio.

Suas considerações se baseiam nos altos preços dos EVs (algo considerado a principal preocupação dos consumidores com relação à adoção em massa da eletrificação nos veículos, conforme relatório recente da especializada americana em análise de mercado Autolist). Para Deboeuf, se os valores dos automóveis para o consumidor não baixarem, a indústria automotiva está condenada.

As colocações do executivo de manufatura da Stellantis seguem em sintonia com o que Carlos Tavares declarou em outras ocasiões. Em fevereiro, por exemplo, O CEO da empresa disse que “o gorila na sala é o custo da eletrificação”, ao apontar que os carros elétricos são de 40% a 50% mais caros de construir que os modelos tradicionais com motor de combustão interna.

Isso foi cerca de dois meses depois do CEO dizer que os custos dos elétricos podem tornar a indústria automotiva insustentável. Fatores como pressão dos investidores e políticas governamentais voltadas para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa foram colocados como ingredientes de uma aceleração na eletrificação – por sua vez, considerada contraproducente para Tavares, levando inclusive a problemas de qualidade.

Conforme traz a Bloomberg, Arnaud Deboeuf diz que a Stellantis tem como objetivo reduzir o custo de fabricação de veículos elétricos em 40% até 2030. A empresa nascida da fusão entre Fiat e Peugeot também planeja fabricar algumas peças internamente, ao mesmo tempo em que deve pressionar seus fornecedores a reduzirem o preço de seus produtos.

Diante do atual cenário, a Stellantis também está desenvolvendo cinco grandes fábricas de baterias na América do Norte e na Europa, para produzir 400 gigawatts-hora de células até 2030. Carlos Tavares ainda acrescenta que a empresa não descarta a compra de uma mina para garantir o fornecimento de matéria-prima.

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