
Guerra é uma catástrofe humana. De forma alguma a gente está sugerindo aqui um cenário “males que vem para bem”. Mas a situação da Guerra na Ucrânia, tem, sim, relação com a transição para energia sustentável, tanto em veículos quanto em geração de eletricidade. Inclusive é razoável dizer que ela seria impossível se essa transição já tivesse sido feita.
É um evento local, mas que pode ter consequências tão grandes como a crise do petróleo de 1973, quando um boicote dos produtores levou a mudanças radicais na indústria, do fim da era dos carrões até o programa do álcool brasileiro.
No bolso do consumidor, simplesmente o preço do combustível pode se multiplicar – e o petróleo acaba de atingir seu maior valor desde 2014. Mas há uma teia de relações de poder bem mais ampla nisso.
Em 1973, houve falta de petróleo. Hoje o problema é de onde ele vem. Existe outra coisa por trás da rápida pressão para o fim do uso do combustível fóssil na Europa além de tentar evitar ou amenizar a catástrofe climática em andamento. É que os países da Europa têm um problema geopolítico nas mãos com seu suprimento de combustíveis fósseis, e esse problema atende por Rússia. O país provém a maior parte do petróleo e gás natural usados na União Europeia.
E os dois são indissociáveis. Além da óbvia dependência do petróleo nos combustíveis das bombas, a eletrificação também é ligada ao gás natural. Esses carros, carregando na tomada, neste momento estão usando indiretamente o gás natural, via termelétricas. Mas trocar permite uma maior flexibilidade: com elétricos, se você muda as usinas, muda também a energia em todos os carros.
Mas quanto a Europa Ocidental depende de Putin? A Rússia proveu no primeiro semestre de 2021, segundo números da Comissão Europeia, 25% do petróleo da Europa. O segundo maior fornecedor, com 9,1%, é a Noruega, que não é membro da União Europeia, mas tem relações e acordos próximos. Mas o terceiro, com 8,9%, é o Cazaquistão, um país aliado da Rússia, que depende da Rússia para tecnologia de extração, e cujo mercado de petróleo tem presença forte de empresas russas.
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