Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 1 de agosto de 2026 · 3 min de leitura ·

Honda fecha parceria com QuantumScape para desenvolver baterias de estado sólido

Honda fecha parceria com QuantumScape para desenvolver baterias de estado sólido

A Honda anunciou em junho de 2026 uma parceria com a QuantumScape, empresa americana de desenvolvimento de baterias sediada em San Jose, Califórnia, para pesquisar e desenvolver baterias de estado sólido e as técnicas de fabricação associadas. De acordo com a engadget, o acordo foi firmado poucos meses depois de a Honda cancelar o lançamento norte-americano de três modelos elétricos — o Honda 0 SUV, o Honda 0 Saloon e o Acura RSX —, movimento que coincidiu com o primeiro prejuízo financeiro anual da empresa em quase 75 anos.

Em comunicado divulgado pela QuantumScape, o diretor de operações do Centro de Excelência em Pesquisa da Honda R&D, Atsushi Ogawa, afirmou que a plataforma de tecnologia de estado sólido da empresa “demonstrou vantagens convincentes e únicas” durante um estudo técnico e que a parceria poderia “agregar valor em uma série de aplicações”. A QuantumScape havia firmado acordo semelhante no ano anterior com a PowerCo SE, empresa de baterias do grupo Volkswagen. Além dos veículos elétricos, a QuantumScape posiciona suas baterias de estado sólido como solução para mercados emergentes com alta demanda energética, como data centers, drones e robótica. A Honda tem como meta atingir a neutralidade de carbono até 2050 e escalar sua produção de veículos elétricos para 100% das vendas até 2040.

Nas baterias de íons de lítio usadas pela maioria dos veículos elétricos atuais, os eletrólitos, responsáveis por transportar elétrons carregados positivamente entre os terminais positivo (cátodo) e negativo (ânodo), são formados por soluções líquidas de sais de lítio dissolvidos em solventes orgânicos. As baterias de estado sólido substituem esses líquidos por eletrólitos sólidos, como óxidos, sulfetos, sais poliméricos ou polímeros em gel. Essa mudança também permite substituir os ânodos de carbono ou silício por alternativas com maior densidade energética, como o lítio metálico.

De acordo com a QuantumScape, um veículo elétrico equipado com uma de suas células poderia ampliar sua autonomia de 350 milhas para uma faixa entre 400 e 500 milhas. A Honda estimou que uma bateria de estado sólido poderia atingir entre 80% e 90% de carga em questão de minutos. Executivos da Honda também afirmaram que a tecnologia poderia dobrar a autonomia estendida dos modelos elétricos atuais até o fim da década.

Os eletrólitos sólidos eliminam o risco de vazamento, não são inflamáveis e são menos suscetíveis à deterioração por reações químicas adicionais. As baterias de estado sólido também operam em temperaturas extremas. A tecnologia ainda poderia eliminar a necessidade de ânodos de grafite, reduzindo a dependência do mercado de veículos elétricos de fornecedores chineses desse material.

Apesar dessas vantagens, nenhum fabricante lançou até agora um veículo elétrico movido inteiramente por baterias de estado sólido para o mercado consumidor. A principal barreira tem sido a escalabilidade diante dos custos elevados.

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