
A NASA deu mais um passo no desenvolvimento de aeronaves supersônicas ao concluir os primeiros voos acima da velocidade do som com o jato X-59, modelo experimental criado para reduzir o tradicional estrondo provocado por esse tipo de operação. A iniciativa pretende reunir dados que possam embasar futuras mudanças nas regras para voos supersônicos sobre áreas terrestres nos Estados Unidos, segundo informado pela Ars Technica nesta segunda-feira (29).
Os testes foram realizados após a estreia do avião em 2025 e marcam o início de uma etapa voltada à comprovação de que a aeronave consegue produzir um ruído significativamente menor do que o registrado por modelos supersônicos do passado. Se os resultados forem confirmados, o projeto poderá influenciar tanto futuras aeronaves comerciais quanto normas regulatórias.
Além da validação técnica, a agência espacial planeja levar o X-59 a diferentes comunidades norte-americanas. O objetivo será medir tanto o comportamento das ondas de choque quanto a reação das pessoas aos sons emitidos durante os voos.
O X-59 foi desenvolvido pela Lockheed Martin em parceria com a NASA dentro da missão Quesst, cujo principal objetivo é reduzir o impacto sonoro provocado por aeronaves que ultrapassam a velocidade do som. A proposta é substituir o conhecido estrondo supersônico por um ruído mais suave, capaz de diminuir os incômodos causados às pessoas em solo.
Para alcançar esse resultado, o projeto adotou uma configuração bastante diferente da encontrada em aviões convencionais. O nariz extremamente alongado, o posicionamento superior do motor e o formato das asas foram concebidos para controlar a formação das ondas de choque, impedindo que elas se combinem da mesma forma que ocorre em aeronaves supersônicas tradicionais.
Segundo Peter Coen, responsável pela integração da missão Quesst, a distribuição dessas ondas ao longo da fuselagem permite que elas percam intensidade antes de alcançar o solo. “O resultado é que o ouvido humano perceberá um ‘baque’ ou um ‘sopro’, em vez de um estrondo sônico típico“, afirmou em entrevista à Ars Technica.
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