
Dias depois do português Carlos Tavares, CEO da Stellantis (dona da Fiat e Peugeot), afirmar em uma entrevista à agência Reuters que os custos do impulso em direção aos veículos elétricos (EVs) poderem tornar a indústria automobilística insustentável, a marca francesa confirmou o lançamento de dois carros 100% elétricos em 2022: um de passeio e um utilitário comercial.
“Para nós hoje, como marca, a oportunidade do carro 100% elétrico talvez seja maior do que a do híbrido. Olhando para a Stellantis como um todo, a Peugeot tem uma oportunidade grande de fincar o pé na eletrificação e ser uma marca mais reconhecida do mundo dos elétricos”, disse Felipe Daemon, Head da Peugeot para a América do Sul, para o Uol.
Neste ano, a francesa venceu 35 mil carros, aumentando sua participação de mercado de 0,7% para 1,5%. O objetivo para 2022 é vender 70 mil, alcançando 3% de participação.
Para Carlos Tavares, custos “além dos limites” para as montadoras produzirem veículos elétricos (EVs) podem significar, além da perda de empregos, a queda na qualidade dos automóveis. Nesse cenário, as fabricantes poderão cobrar preços mais altos pelos veículos (o que resultaria em vendas menores de unidades). Ou talvez as empresas possam aceitar diminuir suas margens de lucro. Ainda assim, segundo Tavares, os cortes seriam inevitáveis.
Importante lembrar que a Stellantis é o sexto maior conglomerado automotivo do mundo, reunindo 14 marcas: Fiat, Citröen, Peugeot, Jeep, Chrysler, Dodge, Maserati, Alfa Romeo, Lancia, Open, Abarth, Vauxhall e DS Automobiles.
O CEO apontou que o impulso de toda a indústria em direção à eletrificação significa custos adicionais de 50% para uma montadora, em comparação com o que se gasta para construir um veículo movido a motor de combustão interna. “Não há como transferirmos 50% dos custos adicionais para o consumidor final, porque a maioria das partes da classe média não será capaz de pagar”, afirmou.
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