
Comprar um carro nunca foi fácil no Brasil. No entanto, nos últimos dez anos, o panorama piorou sensivelmente. De acordo com levantamento da Keeley Blue Book (KBB), empresa americana especializada em pesquisa de preços de veículos novos e usados, o preço médio dos dez carros mais vendidos no Brasil triplicou entre os anos de 2011 e 2021.
Dez anos atrás, os dez veículos que ocupavam a lista dos mais comercializados, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), eram do tipo hatch ou sedã e nenhum deles custava menos de R$ 40 mil. Os mais baratos eram o Celta (sedã) e o Classic (hatch), ambos da General Motors, que saíam, respectivamente, pelo valor médio de R$ 24.735 e R$ 26.000.
O Volkswagen Voyage — que, por sinal, sairá de linha neste ano — era o mais caro, custando em média R$ 39.475. Somando, portanto, os valores médios de cada veículo na lista de 2011, chegava-se ao preço de R$ 33.327.
Em 2021, todavia, o cenário é bem diferente. Primeiro, quatro dos dez modelos mais vendidos são SUVs e quatro deles também passam dos R$ 100 mil. Depois, a disparidade entre o mais barato e o mais caro aumentou de forma singular.
Enquanto o preço médio do carro mais barato é o do Renault Kwid, custando R$ 49.335, o Jeep Compass, o mais caro entre os dez mais vendidos de 2021, sai pelo valor médio de R$ 187.190 — quase o quíntuplo do Voyage, o mais oneroso de 2011.
Por conta disso, o preço médio atual de um carro “popular” no Brasil chega a R$ 96.528, um valor três vezes maior do que os de dez anos atrás — a variação exata é 189,64%.
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