Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 15 de outubro de 2021 · 2 min de leitura ·

Round 6: referência que quase ninguém percebeu trata de evento brutal na indústria automotiva

Round 6: referência que quase ninguém percebeu trata de evento brutal na indústria automotiva

Na série da vez, Round 6, há muitas referências da vida coreana que acabam batidas para espectadores ocidentais. Uma delas, que é bastante central na trama, fala de um evento doloroso da história recente do país, envolvendo a indústria automobilística.

No meio da temporada, quando os participantes do jogo montam barricadas de proteção, o protagonista Seong Gi-hun tem um flashback de como sua vida começou a degringolar. Ele era funcionário de uma certa Dragon Motors e, numa greve violenta, acabou perdendo um amigo para fura-greves. E depois seu emprego, sua estabilidade, eventualmente, tudo. Nunca mais se acertou financeiramente e acabou caindo na dívida, o que o levou ao Jogo da Lula.

Quem é coreano notou imediatamente qual é a referência: a brutal repressão à greve da montadora Ssangyong em 2009. Não é nada sutil, aliás: Ssangyong significa “Dois dragões” em coreano. “Dragon Motors” é uma referência óbvia.

A fábrica fica em Pyeongtaek, cidade do sul da Coreia do Sul. No começo de 2009, a SAIC Motor, montadora chinesa que controlava a Ssanyong então, entrou em processo de falência. Era uma consequência da crise de 2008.

Com a falência do acionista, em maio, a Ssangyong anunciou um plano de reestruturação que envolveria demitir 2646 funcionários da planta.

Os trabalhadores, unidos pela Confederação Sindical Coreana, tentaram negociar. Sem acordo, em 14 de maio decretaram greve e ocuparam a fábrica.

Compartilhe