Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 16 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Tesla demite funcionário que lançou vídeo no YouTube testando piloto automático

Tesla demite funcionário que lançou vídeo no YouTube testando piloto automático

Aparentemente, a Tesla não admite que as falhas do Full Self Driving (FSD), seu sistema de direção autônoma, sejam analisadas ou divulgadas. Isso porque um ex-funcionário da companhia, John Bernal, afirma ter sido demitido após publicar no YouTube um vídeo em que seu carro da Tesla atinge um poste de segurança enquanto no modo Beta do piloto automático.

À rede americana CNBC, Bernal explica que, antes da demissão, foi informado verbalmente pelos seus chefes sobre uma possível “violação” na política da companhia. Eles também disseram que seu canal no YouTube, AI Addict, representava um “conflito de interesses” para a empresa. Pouco depois disso, ele foi demitido — e sem a companhia explicitar no termo de rescisão o porquê do desligamento.

Bernal já havia sido abordado pela gerência da Tesla após publicar um vídeo em que o piloto automático não funciona de forma apropriada e, por várias vezes, fica a ponto de esbarrar com ciclistas ou pedestres. O vídeo, lançado em março de 2021, possui mais de 250 mil visualizações e foi amplamente compartilhado em redes sociais como o Twitter e o Facebook.

“Um gerente da minha equipe de piloto automático tentou me dissuadir de postar qualquer conteúdo negativo ou crítico no futuro que envolvesse o FSD Beta”, diz o ex-funcionário à emissora estadunidense. “Eles fizeram uma videoconferência comigo, mas nunca colocaram nada por escrito.”

Após a demissão, a montadora cortou o acesso de Bernal ao FSD Beta no seu Model 3. O ex-funcionário ainda pode ativar o FSD da empresa americana, mas não recebe mais atualizações.

A Tesla ainda não esclareceu se o desligamento de Bernal tem a ver com os vídeos testando o piloto automático no YouTube. A política relativa às mídias sociais da empresa para funcionários não faz nenhuma censura a críticas. No entanto, diz o texto, a empresa “conta com o bom senso e o bom julgamento dos empregados para se envolver em atividades responsáveis nas redes sociais”. A lista de sites inclui Facebook, Twitter e Instagram, entre outros, mas não menciona a plataforma de vídeos.

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