Julia Monteiro
Julia Monteiro
Veiculos e Tecnologia · 3 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Volvo C40 Recharge é o bad boy de uma família comportada | Avaliação

Volvo C40 Recharge é o bad boy de uma família comportada | Avaliação

Em uma família de gente bem sucedida, que vai e volta do escritório em ternos Armani, o Volvo C40 Recharge é o membro que usa tênis velho, jaqueta de couro (vegano) e camiseta de banda. É o filho rebelde – mas que ainda carrega o DNA e o sobrenome.

A Volvo já foi tida por uma criadora de carros quadrados – figurativa e literalmente, porque foi uma das últimas empresas a abandonar o formato anguloso, já entrando no século 21. Sempre foi famosa pela alta qualidade e alta segurança: foram eles os inventores do cinto de segurança de três pontos, em 1959. Isso num tempo em que montadoras americanas tinham medo de incluir cinto de segurança, achando que clientes iriam rejeitar seus carros se admitissem que podem sofrer acidentes.

Emoção não era o ponto alto da Volvo, enfim. Desde a década de 2000, a montadora sueca vem tentando quebrar o molde do solene carro do meritíssimo juiz, do excelentíssimo prefeito, do senhor patrão. Hoje deseja estar na vanguarda, tomando decisões ousadas como parar de vender carros a combustão interna no Brasil. Ainda assim, verdade seja dita: na sua linha atual, segurança, espaço e luxo são o ponto principal, enquanto emoções intensas ficam mais para a subsidiária esportiva, a Polestar.

Ou ficavam: o C40 não é o carro do meritíssimo excelentíssimo senhor. É um SUV com forte ênfase na letra S, sport, e menos no U, utility. De fato, com sua traseira quase fastback, é mais para crossover que SUV, enquanto seu irmão, o XC40, é um SUV com a cara do resto da linha.

É impossível não comparar com o XC40: quase tudo o que tem no C40 tem nele. Inclusive o furioso torque elétrico. Ambos tem os mesmos dois motores, um em cada eixo, com tração 4×4, produzindo os mesmos 408 cv e perfazendo os mesmos 0 a 100 km/h em 4,7 segundos. Internamente, a plataforma do C40 é nova, planejada para ser elétrica desde sempre, e dispensando algumas heranças da era da combustão interna, como usando rodas mais fechadas, por não precisar tanto de refrigeração. Mas, na prática, são carros parecidos.

A frente é idêntica – e não é um ponto forte, a meu ver. Parece demais com a dos Volvos a combustão interna, com a grade tapada por uma peça. Elétrico devia é ostentar sua condição, abandonando qualquer sugestão de grade. Toda a ousadia da traseira não condiz com uma frente tão convencional.

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