
O aquecimento global parece estar afetando a temperatura da Europa mais do que outras regiões, provando que, apesar de ser um problema global, as alterações climáticas não estão atingindo o mundo de forma igualitária.
De acordo com as normas estipuladas pelo Acordo Climático de Paris, os países signatários têm o objetivo comum de limitar o aumento da temperatura média da Terra em 1,5 ºC. Como você já deve ter adivinhado, não estamos nem perto disso – na verdade, a estimativa mais conservadora diz que o planeta deve ficar cerca de 2,4 ºC mais quente do que se comparado ao período que antecedeu a revolução industrial.
O problema: a temperatura da Europa já está a 2,2 ºC mais quente do que naquela época – e foi justamente o “Velho Continente” quem liderou a industrialização mundial.
A informação vem de Samantha Burgess, Diretora Adjunta de Serviços Climáticos do Programa Copérnico de Observação da Terra. A especialista mostrou suas conclusões durante uma reunião de abertura do evento COP26, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) na última terça-feira (9).
Segundo Burgess, o ano de 2020 foi o de temperatura mais quente da Europa, atingindo a marca de 1,9 ºC acima do período médio registrado entre 1981 e 2010, e 0,4 ºC acima do recorde anterior.
Isso tem se refletido em desastres climáticos mais e mais frequentes: no meio do ano, enchentes que atingiram o lado oeste do continente mataram 200 pessoas somente na Alemanha, com a chanceler Angela Merkel chamando a situação de “surreal”.
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