Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Cometa Leonard dá um último show antes de partir

Cometa Leonard dá um último show antes de partir

Descoberto há apenas um ano, o cometa Leonard, formalmente conhecido como Cometa C/2021 A1, fez sua passagem mais próxima da Terra em 12 de dezembro, marcando o auge de um mês repleto de oportunidades de observação. A partir desta data, com sua distância até nós aumentando gradativamente, ele deveria ficar cada vez menos brilhante, até se tornar invisível para nós.

Mas conforme o cometa continuou sua jornada através do sistema solar interno, algo mudou: sua cauda assumiu a aparência de uma serpentina, mesmo quando o núcleo do cometa se tornou mais brilhante.

“De alguma forma, ele voltou à vida e desencadear alguns aumentos súbitos no brilho, que reverteram a tendência de desaparecimento”, disse Quanzhi Ye, um astrônomo da Universidade de Maryland que se especializou em cometas, em declaração ao site Space.com.

O novo espetáculo é o resultado do vento solar, uma corrente de partículas de plasma carregadas emitidas pelo Sol que flui constantemente pelo sistema solar. Os cometas apresentam duas caudas, uma feita de poeira e outra de íons. E como os íons são partículas carregadas, a cauda de íons de um cometa é particularmente suscetível a ser moldada pelo vento solar, bem como pelo campo magnético localizado no espaço interplanetário.

“O que vemos aqui são todos os tipos de efeitos visuais causados ​​pela influência do vento solar”, disse Ye. “A maioria dos efeitos fascinantes que vemos nas fotos são da cauda de íons.”

Coincidentemente, os astrônomos já estavam de olho na cauda de íons do cometa Leonard. Em dezembro um estranho episódio com uma mudança súbita no brilho fez os cientistas se perguntarem se o cometa poderia estar se desintegrando, um evento cujo início seria marcado pelo desaparecimento da cauda de íons. Mas isso não aconteceu.

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