
Pesquisadores do Laboratório Princeton de Física de Plasma (PPPL) do Departamento de Energia dos EUA (DOE) descobriram que a adição de um agente de limpeza doméstica — o boro mineral ou borato de sódio, contido em um produto de limpeza simples conhecido como bórax — pode melhorar consideravelmente a capacidade de alguns dispositivos de conter o calor necessário para produzir energia por fusão nuclear na Terra, de maneira semelhante a que o Sol e as estrelas fazem.
Em parceria com pesquisadores japoneses, os físicos do PPPL fizeram a análise usando o Grande Dispositivo Helicoidal (LHD), uma instalação magnética tortuosa conhecida no Japão como “heliotrono”.
Com os resultados, os cientistas viram, pela primeira vez, um regime de confinamento de calor, em equipamentos chamados “instalações” estelares, semelhante ao heliotrono. Eles acreditam que essa descoberta poderia ajudar no desenvolvimento de projetos para futuras usinas de fusão nuclear.
Segundo os autores do estudo, eles produziram o regime de confinamento mais alto injetando pequenos grãos de pó de boro no plasma LHD que alimenta reações de fusão. A injeção, feita com um lançador instalado no PPPL, reduziu fortemente os redemoinhos turbulentos e elevou o calor confinado que produz as reações.
“Pudemos ver esse efeito muito claramente”, disse Federico Nespoli, físico do PPPL e autor principal do artigo científico que descreve a pesquisa, publicado na revista Nature Physics. “Quanto mais energia colocarmos no plasma, maior o aumento do calor e do confinamento, o que seria ideal em condições reais do reator”.
David Gates, um dos principais físicos de pesquisa do PPPL, que lidera o Departamento de Projetos Avançados, foi responsável por supervisionar o trabalho: “Estou muito animado com esses excelentes resultados que Federico escreveu neste importante artigo sobre nossas colaborações com a equipe no LHD”, disse Gates. “Quando lançamos este projeto — o LHD Impurity Powder Dropr — em 2018, tínhamos esperanças de que poderia haver um efeito sobre o confinamento energético. As observações são ainda melhores do que esperávamos com a supressão da turbulência em uma grande fração do raio de plasma”.
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