Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de janeiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Empresa de Singapura lança satélite com combustível mais eficiente

Empresa de Singapura lança satélite com combustível mais eficiente

Não foi só um satélite brasileiro que a SpaceX levou ao espaço na missão Transporter-3, executada na última semana. A startup Aliena está testando uma espaçonave com um sistema de combustível mais eficiente que as misturas propelentes conhecidas hoje.

A empresa, uma startup derivada da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Singapura, usa um motor de propulsão Hall, que se vale de plasma impulsionado por uma corrente elétrica. A tecnologia foi uma invenção da própria Aliena e, segundo a companhia, consome “apenas uma fração” da energia necessária por um propulsor convencional.

Todo satélite precisa de um ou mais propulsores. Mesmo aqueles que estão estacionados em uma posição fixa na órbita da Terra comumente disparam propulsores para corrigir sua orientação, desviar de lixo espacial ou manter-se em uma órbita específica. Isso porque a atmosfera da Terra ainda tem uma força considerável para puxá-los de volta, fazendo com que eles passem por reentrada atmosférica e, no melhor dos cenários, sejam incinerados na queda (o pior cenário é eles caírem de volta e atingirem o solo – uma cidade povoada, por exemplo).

Antigamente, satélites tinham toneladas de peso e eram imensos em tamanho, mas a mesma evolução tecnológica que vimos nos processadores permitiu sua miniaturização. Hoje temos como exemplo disso os CubeSat, que normalmente têm formato quadrado (10x10x10 centímetros) e dificilmente pesam mais que dois quilogramas (2 kg).

Entretanto, os propulsores Hall atuais não servem para satélites menores, já que necessitam de cerca de mil watts (W) de potência para manter objetos em órbita – algo que só é factível em satélites maiores. A solução desenvolvida pela Aliena “tapa” esse buraco de forma elegante e funcional, pois necessita de somente 10 W e seu design facilita seu uso em satélites de até 10x10x10 cm – pois é, a comparação com o CubeSat não veio à toa.

A empresa conseguiu o feito ao usar as propriedades da propulsão por plasma, um dos quatro estados fundamentais da matéria, que consegue exercer movimento com uma força da escala de micronewtons – em termos comparativos, a mesma força exercida por uma formiga dando alguns passos.

Compartilhe