
No processo de surgimento da vida na Terra, a transformação da química para a bioquímica em nosso planeta foi um dos desenvolvimentos mais surpreendentes que aconteceram no universo. É tão raro que até agora, não temos absolutamente nenhuma evidência de qualquer forma de vida em qualquer outro lugar do cosmos — apesar de nossa busca incessante.
Para explicar o que exatamente pode ter acontecido, a resposta está na correlação de pesquisas de ponta em astronomia, biologia, química e geologia.
Um estudo recente, em fase de pré-print e aceito para publicação pelo The Astrophysical Journal, propõe que a chave estaria em uma molécula autorreplicante, envolvendo uma interação complexa de meteoritos ricos em hidrogênio, atividade vulcânica, lagoas quentes e um precursor improvável para a vida: o cianeto de hidrogênio.
Após sua formação há cerca de 4,5 bilhões de anos, a Terra imediatamente sofreu inúmeras colisões, entre as quais uma grande o suficiente para arrancar um pedaço do nosso planeta e criar a Lua. Depois disso, as coisas se acalmaram o suficiente para que a vida pudesse aparecer, entre 4,5 bilhões e 3,7 bilhões de anos atrás.
Essas formas de vida primitiva eram certamente muito diferentes das modernas. Isso porque as formas de vida modernas requerem três macromoléculas: DNA, RNA e proteínas. Muito resumidamente: nosso DNA armazena informações, o RNA transmite essas informações para a fabricação de proteínas, e as proteínas fazem a maior parte do trabalho de manter a vida funcionando — inclusive, replicando DNA.
Esse é um sistema tão interconectado que é improvável que tudo tenha aparecido de uma só vez em sua forma moderna. No entanto, a vida primitiva ainda precisava desempenhar as funções básicas: armazenar informações, replicar-se e catalisar outras reações químicas.
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