
Meteoritos são fragmentos de asteroides ou cometas que atingem a superfície da Terra intactos. Eles são as sobras da formação do sistema solar e as moléculas que carregam fornecem pistas sobre a história desse sistema. Essas pistas agora ficaram um pouco mais fáceis de serem analisadas, graças a um trabalho da IBM Research em colaboração com uma equipe multinacional de pesquisadores, publicado no periódico Meteoritics and Planetary Science.
A maioria dos meteoritos primitivos permaneceu praticamente inalterada desde sua formação há bilhões de anos. Eles são como máquinas do tempo que nos dão acesso ao passado remoto do surgimento dos planetas que orbitam o Sol. Parte da carga que os meteoritos carregam com eles é matéria orgânica (moléculas compostas por carbono, não necessariamente ligadas a organismos vivos), e essa matéria pode ter chegado à Terra primitiva desempenhando um papel importante nas origens da vida.
Pesquisadores da IBM Research publicaram um estudo sobre matéria orgânica em meteoritos usando, pela primeira vez, microscopia de força atômica (AFM, na sigla em inglês) de ultra-alta resolução. A equipe examinou amostras do famoso meteorito Murchison, que caiu na pequena cidade australiana de mesmo nome, em setembro de 1969, e aproveitou as habilidades únicas do AFM para visualizar e identificar moléculas individuais.
Suas descobertas — obtidas por um grupo multinacional de pesquisadores, incluindo a equipe da IBM em Zurique, Suíça — fornecem uma prova de conceito mostrando que o AFM pode resolver e identificar moléculas individuais de origem meteorítica.
A capacidade do AFM de identificar uma molécula individual significa que ele pode detectar vestígios de substâncias que seriam perdidas por outras técnicas. Isso se torna mais importante quando a amostra é escassa, como no caso de meteoritos, e ainda mais para materiais que retornam com missões espaciais.
Há cerca de 12 anos, a equipe da IBM avançou no uso de AFM para visualizar moléculas individuais com resolução atômica. Ao estudar amostras relacionadas a petróleo bruto e fuligem, que contêm uma grande diversidade de moléculas, eles começaram a tirar proveito da sensibilidade do AFM a uma única molécula.
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