Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Tempestades em Petrópolis: o desastre poderia ter sido previsto?

Tempestades em Petrópolis: o desastre poderia ter sido previsto?

Mais de cem mortos, quase 150 desaparecidos, muitos feridos e desabrigados, além de toda a destruição ambiental e material. Esse é o cenário da tragédia que se abateu esta semana sobre Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. A cidade foi atingida por temporais que, em poucas horas, desabaram um volume de água equivalente a mais de um mês de chuvas.

Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), foram 250 milímetros de chuva em apenas três horas no município na terça-feira (15), muito além do que os 185 milímetros esperados para todo o mês de fevereiro.

Esse não foi o primeiro registro de tempestades avassaladoras nos últimos meses no Brasil. Vimos o mesmo acontecer no sul da Bahia no fim de 2021, quando um ciclone extratropical provocou chuvas tão intensas que diversas cidades entraram em estado de emergência e calamidade. O estado de Minas Gerais também foi assolado por enchentes provocadas por fortes temporais no fim do ano passado e no início de 2022. No fim de janeiro, foi a vez de São Paulo, onde um evento extremo de chuva deixou mortos e grande destruição. 

Diante disso, fica o questionamento: essas situações poderiam ter sido previstas e, consequentemente, evitadas? Para entender o papel da ciência meteorológica em episódios como esses, o Olhar Digital conversou com dois especialistas em estudos do clima.

Desirée Brandt é meteorologista, palestrante e tem uma extensa carreira como apresentadora da previsão do tempo em emissoras de rádio e televisão. Segundo ela, havia previsão de bastante chuva na região, mas o que aconteceu em Petrópolis foi algo “muito pontual”.

“A previsão aponta que existe uma área de alto risco para grandes acumulados de chuva, mas não dá para prever especificamente se essa grande quantidade de chuvas cairia exatamente sobre Petrópolis ou sobre Teresópolis, por exemplo”, explica Desirée. 

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