Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de março de 2022 · 2 min de leitura ·

Diferentes tipos de bolhas cósmicas podem ter a mesma origem no centro da Via Láctea

Diferentes tipos de bolhas cósmicas podem ter a mesma origem no centro da Via Láctea

Astrofísicos sugerem que dois conjuntos distintos de bolhas cósmicas gigantes que se estendem milhares de anos-luz acima e abaixo do plano da Via Láctea podem ter sido produzidos pelo mesmo evento, apesar de sua significativa diferença de tamanho.

Em 2020, o Olhar Digital divulgou um estudo que havia sido publicado no The Astrophysical Journal segundo o qual o fenômeno conhecido como bolhas Fermi teria ligação com uma série de “arrotos” de Sagitário A*, o buraco negro supermassivo localizado no centro da Via Láctea, que começou há cerca de seis bilhões de anos.

Agora, um novo estudo argumenta que além das bolhas Fermi, as bolhas eROSITA, descobertas posteriormente, também seriam resultado da atividade de Sagitário A*. No entanto, tendo em vista que um conjunto de bolhas é muito maior do que o outro, não ficou claro se elas foram produzidas ao mesmo tempo ou por eventos separados.

Detectadas em 2010, as bolhas Fermi, cheias de gás quente e campos magnéticos que emitem radiação gama, estendem-se nove kiloparsecs (29.354 anos-luz) acima e abaixo do plano galáctico, para um tamanho total de 18 kiloparsecs. Elas também têm uma contrapartida de micro-ondas, chamada neblina de micro-ondas.

Já as bolhas eROSITA, que emitem radiação X, estendem-se em torno de 14 kiloparsecs (45.661 anos-luz) em qualquer direção do centro galáctico, para um total de 28 kiloparsecs. Nessas medidas, elas absorvem totalmente as bolhas de Fermi.

Uma equipe de astrônomos liderada pela cientista Hsiang-Yi Karen Yang, da Universidade Nacional Tsing Hua, em Taiwan, tem usado simulações numéricas para reduzir a atividade do buraco negro supermassivo que poderia produzir as bolhas como elas são vistas na Via Láctea. 

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