Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de março de 2022 · 3 min de leitura ·

Derretimento de “gelo eterno alpino” pode expelir “trilhões” de gramas de CO2

Derretimento de “gelo eterno alpino” pode expelir “trilhões” de gramas de CO2

O termo “pergelissolo” é usado para se referir à porção do solo congelada em caráter permanente. Nas regiões árticas, é fácil de encontrar, mas poucos se dão conta de que esse “gelo eterno” também existe nas regiões mais temperadas (acima e abaixo da linha do Equador, ou “alpino”) – e isso pode ser um problema para quem está na linha de frente do combate ao aquecimento global.

Isso porque, ao contrário de suas contrapartes árticas, o gelo eterno das regiões temperadas derrete a uma velocidade muito mais rápida, mas ele conta com 85 trilhões de gramas (g) de dióxido de carbono (CO2). E uma vez derretido o gelo, todo esse gás pode subir até a atmosfera da Terra, junto de outros produtos também ruins, como metano.

Os cientistas referem-se aos dois tipos de gelo como “pergelissolo alpino” e “pergelissolo ártico”. E ambos estão sujeitos às condições atuais do aquecimento global, segundo estudo publicado pela Nature Communications: “concentrações de CO2 na atmosfera hoje são similares, se não mais altas, do que na metade do Período Plioceno, devido à queima de combustíveis fósseis, então cientistas apontam para esse período como um análogo para o nosso tempo atual e futuro climático”, disse Carmala Garzione, co-autora do estudo e reitora do Colegiado de Ciências da Universidade do Arizona. “Ainda não estamos sentindo todos os efeitos do CO2 atmosférico porque a Terra leva um tempo para se ajustar”.

A metade do Período Plioceno corresponde a algo entre 3,3 milhões e 3 milhões de anos – uma época onde a temperatura da Terra raramente chegava a níveis congelantes. Nesse período, o gelo ártico ainda começava a se formar nas regiões polares, que na época ainda eram recheadas de imensas florestas e paisagens relativamente tropicais.

“Nós queríamos estimar a estabilidade do pergelissolo moderno em um cenário mais quente que o atual”, disse Feng Cheng, que assina a autoria primária do paper e já trabalhou com Garzione como colega de pós-doutorado antes de assumir posição de professor na Universidade de Beijing. “Nossas descobertas foram surpreendentes e ressaltam o fato de que precisamos mostrar mais esforços no monitoramento da estabilidade das regiões alpinas”.

Para conduzir o estudo, a dupla atacou duas frentes: de um lado, eles usaram carbonato, um tipo de mineral, que se formou em lagos da região do Tibet para estimar as temperaturas do Plioceno e Pleistoceno (entre 2,6 milhões e 11,7 mil anos atrás). Os átomos dentro desses carbonatos refletem a temperatura pelas quais eles foram originalmente formados.

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