
Cientistas da Universidade de Amsterdã, na Holanda, descobriram que uma onda de choque decorrente de uma supernova ocorrida na Nebulosa Cassiopeia-A, na constelação de Cassiopeia, está viajando na direção errada, ou seja, em uma projeção fora do esperado em relação ao epicentro da explosão.
O time por trás da descoberta usou dados coletados ao longo de 19 anos pelo Observatório Espacial de Raios-X Chandra, que orbita a Terra. Graças a ele, foi possível perceber que as movimentações dentro do raio da explosão eram “caóticas”, para citar um adjetivo usado pelo próprio estudo.
Uma supernova, como você sabe, é a explosão de uma estrela com massa várias vezes maior que o Sol. Dela, podem sair ou uma estrela de nêutrons (um dos objetos mais densos do universo) ou um buraco negro. Entretanto, o que normalmente ocorre é que a explosão estelar propaga sua onda de choque de forma circular – ela sai do centro e se espalha de forma equilibrada em todas as direções.
Não desta vez. Segundo o material coletado do Chandra, a parte “ocidental” da onda de choque desta supernova estava viajando “para dentro”. Em outras palavras, ao invés de expandir, a onda estava se retraindo. Mas isso não é tudo: partes da mesma região da onda de choque estavam em seu curso normal.
De acordo com o autor primário do estudo, Jacco Vink, a onda de choque da supernova vista em Cassiopeia-A viaja a uma velocidade de 21,6 milhões de quilômetros por hora (km/h), o que faz dela uma das expansões mais rápidas já registradas por nossos instrumentos.
A justificativa para isso, especulou Vink, é o fato de que a nebulosa Cassiopeia é formada por duas partes distintas – uma interna e uma externa. Na maior parte de sua constituição, o anel interno e o externo estão viajando na mesma velocidade e direção. Mas em um pedaço específico de seu “ocidente”, a parte interna está retraindo, levando consigo parte da onda de choque da supernova a uma velocidade bem inferior – pouco menos de 10 milhões de km/h.
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