
Localizada na constelação equatorial de Ophiuchus, também chamada de Serpentário, que fica no plano galáctico da Via Láctea, está RS Ophiuchi (RS Oph), que pertence à classe de estrelas de variável cataclísmica (CV). Ela é parte ainda de um grupo menor, aparentemente “exclusivo” de CVs, denominadas “novae recorrente” (NR) – do qual há apenas sete membros confirmados.
A cada 15 anos ou mais, uma explosão dramática ocorre na constelação do Serpentário. Essas explosões se dão em sistemas nos quais duas estrelas muito diferentes vivem em uma relação parasitária, por meio da qual uma anã branca (uma estrela pequena, queimada e muito densa — uma colher de chá de sua matéria pesa cerca de 1 tonelada) orbita uma gigante vermelha, uma estrela antiga prestes a morrer.
Segundo astrofísicos, a estrela gigante moribunda alimenta a anã branca com matéria derramando sua camada de hidrogênio exterior enquanto o gás flui para a anã branca próxima. Esse fluxo de matéria continua, até que a anã branca devora a si mesma. A temperatura e a pressão nas conchas estelares recém-adquiridas tornam-se muito grandes e são arremessadas para longe em uma gigantesca explosão termonuclear. A estrela anã permanece intacta e o ciclo começa novamente — até que o espetáculo se repita.
Um estudo publicado na revista científica Nature, na quinta-feira (14), relata uma dessas explosões, captada pelo sistema de telescópios Major Atmospheric Gamma Imaging Cherenkov (MAGIC), situado no Observatório Roque de los Muchachos, em La Palma, uma das Ilhas Canárias na Espanha, a cerca de 2,2 mil m acima nível do mar.
Foram registrados raios gama de 250 gigaelectronvolts (GeV), que está entre as energias mais altas já medidas em uma CV. Em comparação, a radiação é cem bilhões de vezes mais energética do que a luz visível.
Segundo o artigo, Magic pôde fazer suas observações seguindo alertas iniciais de outros instrumentos medindo em diferentes comprimentos de onda. “A espetacular erupção do RS Ophiuchi mostra que a resposta rápida dos telescópios MAGIC realmente compensa: eles não levam mais de 30 segundos para se moverem para um novo alvo”, disse David Green, cientista do Instituto Max Planck de Física e um dos autores do estudo.
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