Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de maio de 2022 · 2 min de leitura ·

Como a extinção dos dinossauros influenciou na evolução das plantas

Como a extinção dos dinossauros influenciou na evolução das plantas

Há cerca de 66 milhões de anos, um imenso asteroide atingiu a Terra, desencadeando uma série de eventos catastróficos, como incêndios florestais e um extenso inverno nuclear, por meio do qual a ausência de luz solar (e, consequentemente, de calor) provocou o início de uma das muitas eras do gelo que o planeta enfrentou. Isso causou a extinção de 80% dos animais da Terra, incluindo a maior parte dos dinossauros.

Com isso, grandes herbívoros foram dizimados, surgindo outras espécies após 25 milhões de anos. Então, vem a questão: uma vez que plantas e animais herbívoros têm uma relação direta, como a extinção dessas criaturas e o posterior surgimento de novos chamados “mega-herbívoros” (como elefantes e rinocerontes) afetaram a evolução da flora terrestre?

Para responder a essa pergunta, uma equipe de cientistas liderada pelo Centro Alemão de Pesquisa Integrativa da Biodiversidade (iDiv) e pela Universidade de Leipzig, também na Alemanha, analisou plantas fósseis e outras atualmente vivas. Os resultados foram publicados no periódico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

As análises genéticas permitiram aos pesquisadores traçar os desenvolvimentos evolutivos das plantas durante e após a lacuna de existência de mega-herbívoros. Assim, eles confirmaram, pela primeira vez, a suposição científica comum de que muitas espécies de palmeiras na época dos dinossauros traziam grandes frutos e estavam cobertas com espinhos em seus troncos e folhas.

No entanto, a equipe de pesquisa descobriu que a “velocidade evolutiva” com a qual novas espécies de palmeiras com pequenas frutas surgiram durante a lacuna de mega-herbívoros diminuiu, enquanto a velocidade evolutiva daqueles com grandes frutos permaneceu quase constante. O tamanho das frutas em si também aumentou. 

Aparentemente, animais muito menores também poderiam comer grandes frutas e espalhar as sementes com suas excreções. “Assim, pudemos refutar a suposição científica anterior de que a presença de grandes frutos de palmeiras dependia exclusivamente de mega-herbívoros”, diz o primeiro autor do estudo, Renske Onstein, pesquisador doutor do iDiv e da Universidade de Leipzig. “Assumimos, portanto, que a falta de influência de grandes herbívoros levou a vegetações mais densas nas quais plantas com sementes e frutos maiores tinham uma vantagem evolutiva”.

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