Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de junho de 2022 · 2 min de leitura ·

Este buraco negro gira mais devagar que o normal, e cientistas tem uma teoria do motivo

Este buraco negro gira mais devagar que o normal, e cientistas tem uma teoria do motivo

Buracos negros são medidos por dois números: sua massa e a velocidade de seu giro. Astrônomos da Universidade de Cambridge conseguiram fazer uma análise recorde de um buraco negro supermassivo no quasar “H1821+643”, determinando que ele gira mais devagar do que o normal se comparado aos seus primos menores.

A descoberta é inédita e pode oferecer pistas sobre como buracos negros podem crescer até se tornarem “supermassivos” – o tipo de objeto que elude o entendimento científico e desafia boa parte das pesquisas sobre eles.

Isso porque buracos negros supermassivos podem ter até bilhões de vezes a massa do Sol. Cientistas estimam que toda galáxia de grande porte tem um deles em seu centro. Tal é o caso da Via Láctea e também de sua vizinha imediata, Andrômeda. Entretanto, embora nós já tenhamos identificado vários deles, ainda não entendemos como eles conseguem ficar tão grandes.

Para este estudo, os pesquisadores observaram os raios-x que escapam de um disco de materiais ao redor do quasar H1821+643. Quasares contém buracos negros supermassivos que crescem a uma velocidade acelerada, e seus giros – normalmente, tão rápidos quanto – tendem a arrastar o espaço a sua volta, efetivamente juntando materiais e formando um disco.

O H1821+643 está localizado a 3,4 bilhões de anos-luz da Terra, e tem algo entre três e 30 bilhões de vezes a massa do Sol. Em termos práticos: ele é um dos buracos negros mais massivos já descobertos. Para fins de comparação: Sagittarius A*, o nosso buraco negro supermassivo tem “apenas” quatro bilhões de vezes a massa do Sol.

Segundo os cientistas, as forças gravitacionais engrandecidas ao redor do buraco negro alteram a intensidade dos raios-x em variados graus. Quando maior for essa alteração, mais perto do anel interno do horizonte de eventos – o “ponto sem retorno” de um buraco negro – eles estarão, o que permite a nós analisarmos a sua velocidade de giro.

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