Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

EUA declaram fim de testes com armas antissatélite

EUA declaram fim de testes com armas antissatélite

Em um anúncio inesperado, o governo dos EUA anunciou o fim dos programas de testes de armas antissatélite. O anúncio foi feito pela vice-presidente Kamala Harris durante visita à base da Space Force em Vandenberg, no condado de Santa Barbara, Califórnia.

Segundo a segunda-em-comando dos EUA, a ideia é dar os primeiros passos em busca de uma melhor coexistência de nações no espaço, com os EUA servindo de modelo para que outros países com capacidade espacial sigam o exemplo e também busquem uma execução de atividades mais pacífica fora da Terra.

De acordo com o Guia do Instituto Naval para Sistemas de Armas Navais do Mundo, as armas antissatélite (ou simplesmente “ASATs”) foram desenhadas com estratégias e táticas militares em mente. Seus testes datam desde o auge da Guerra Fria, quando EUA e a extinta União Soviética disputavam a supremacia tecnológica também no aspecto bélico.

Isso porque satélites, desde o primeiro do tipo lançado (Sputnik 1), vêm sendo aplicados em uma série de contextos: militarmente falando, eles servem como navegação de tropas, comunicação com centros militares e pelotões em regiões de conflito e, talvez o maior interesse das nações com essa capacidade, a coleta e entrega de inteligência de países inimigos.

Satélites armados, embora nunca utilizados em um contexto real de combate, já foram demonstrados por países como China, Índia, Rússia e, claro, EUA. As demonstrações sempre eram executadas sobre alvos domésticos desativados – como satélites “mortos”, por exemplo – e nunca sobre alvos estrangeiros.

Na prática, funciona como um ótimo instrumento de dissuasão por meio da ameaça: “se você atacar minha estrutura na Terra, eu vou retaliar dos céus”. Entretanto, crescentes preocupações com o aumento de lixo espacial – em muito alavancado pela crescente participação da iniciativa privada na exploração do espaço – mudaram a perspectiva pública, e armas antissatélite deixaram de ser vistas como ferramentas de proteção, agora virando mais um agravante de destroços na nossa órbita.

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