Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 22 de agosto de 2022 · 3 min de leitura ·

Guerra nuclear aniquilaria 63% da população mundial, diz estudo

Guerra nuclear aniquilaria 63% da população mundial, diz estudo

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia, iniciado em fevereiro de 2022, trouxe muitos questionamentos e incertezas para mundo, o que mobilizou os cientistas em busca de respostas para possíveis desdobramentos mais drásticos e abrangentes da batalha, como uma guerra nuclear. De acordo com o estudo publicado na Nature Food, aproximadamente 63% da população mundial, 5 bilhões de pessoas, morreria caso o confronto tomasse esse rumo.

Com o lançamento de bombas nucleares, as pessoas observariam consequências imediata, como a devastação instantânea de florestas e animais, a destruição de cidades inteiras, incêndios generalizados, e a morte instantânea de pessoas no raio mais próximo da bomba, um exemplo do que aconteceu com as cidade de Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Além disso, há os efeitos a longo prazo, a presença de elementos radioativos na atmosfera, no solo e nas águas, o aumento de casos de câncer, catarata e outras condições de saúde nos sobreviventes.

Entretanto, o que vai reduzir drasticamente a presença de seres humanos na Terra será a falta de alimento. Com os incêndios em larga escala, haverá depósito de fuligem na atmosfera, fator que bloqueará os raios solares e fará com que a temperatura caia cerca de 29ºC. Esse fenômeno é conhecido como “inverno nuclear”.

Para o professor de ciência climática da Universidade de Rutggers, em Nova Jersey, Alan Robock, ocorrerão mudanças climáticas sem precedentes na história, e isso afetará diretamente a produção de gêneros alimentícios. A redução de calorias pode chegar a até 90%.

Os cientistas verificaram 6 cenários potenciais de guerra nuclear e calcularam quanto de fuligem seria gerada. Foram testados conflitos diferentes, desde uma escala local, entre países mais próximos, com menor capacidade nuclear, até os gigantes como EUA, Rússia e seus aliados. Descobriu-se que mesmo um pequeno conflito poderia gerar uma espécie de inverno nuclear em menores proporções. Em uma possível guerra mais extrema entre a Índia e o Paquistão, a produção global de calorias pode cair 50%, causando 2 bilhões de mortes.

Com a estimativa da quantidade de fuligem emitida pelos eventos, os cientistas utilizaram esses dados no Modelo do Sistema Terrestre Comunitário do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR), uma ferramenta de previsão que simula mudanças na luz solar, temperatura e precipitação da Terra. Essas mudanças foram então alimentadas no Modelo Comunitário de Terra da NCAR, que deu aos cientistas uma divisão país a país das dramáticas reduções que um inverno nuclear traria para as colheitas de milho, arroz, soja, trigo e para a pesca.

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