
Há bilhões de anos, as maiores galáxias satélites da Via Láctea – a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães – vêm seguindo uma jornada perigosa. Orbitando uma à outra enquanto são puxadas em direção à nossa galáxia, elas começaram a se desenredar, deixando para trás rastros de detritos gasosos.
No entanto, essas galáxias anãs permanecem intactas, e ainda com formação estelar vigorosa em curso, deixando os astrônomos intrigados.
“Muitas pessoas estavam lutando para explicar como esses fluxos de material poderiam estar lá”, disse Dhanesh Krishnarao, pesquisador assistente do Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA. “Se o gás foi removido dessas galáxias, como elas ainda estão formando estrelas?”.
Usando dados do Telescópio Espacial Hubble e de um satélite aposentado chamado Explorador Espectroscópico Ultravioleta Distante (FUSE, na sigla em inglês, um projeto de cooperação internacional entre a NASA, a Agência Espacial Canadense e Agência Espacial Francesa que esteve em operação entre 1999 e 2007), uma equipe de astrônomos liderados por Krishnarao finalmente encontrou a resposta: o sistema Magalhães está cercado por uma coroa, um escudo protetor de gás quente sobrecarregado, que “blinda” as duas galáxias, impedindo que seu material seja desviado pela Via Láctea, permitindo-lhes, portanto, continuar a formar novas estrelas.
Essa descoberta, publicada nesta quarta-feira (28) na revista científica Nature, aborda um novo aspecto da evolução das galáxias. “As galáxias se envolvem em casulos gasosos, que agem como escudos defensivos contra a ação de outras galáxias”, disse o coautor Andrew Fox, do Instituto de Ciência de Telescópios Espaciais (STScl) da NASA.
Segundo um comunicado da agência, os astrônomos previram a existência da coroa há vários anos. “Descobrimos que se incluíssemos uma coroa nas simulações das Nuvens de Magalhães caindo sobre a Via Láctea, poderíamos explicar a massa de gás extraído”, explicou Elena D’Onghia, pesquisadora da Universidade de Wisconsin-Madison e também coautora do artigo. “Sabíamos que a Grande Nuvem de Magalhães deveria ser massiva o suficiente para ter uma coroa”.
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