
Nós já falamos nasta coluna como os astrônomos mediram as distâncias até a Lua, o Sol e até de algumas estrelas próximas. Agora, vamos entender como medimos distâncias bem maiores, as distâncias intergalácticas. E não há como falarmos das grandes distâncias do Universo sem falar no brilhante trabalho de Henrietta Swan Leavitt.
Henrietta Leavitt nasceu em Lancaster, nos Estados Unidos em 1868. No seu último ano de faculdade, ela descobriu a astronomia e se apaixonou. A busca pelo entendimento do Cosmos guiaria toda a sua vida a partir dali.
Em 1893 ela começou a trabalhar no Observatório de Harvard como voluntária, mas logo foi efetivada na equipe de Edward Pickering. Na época, as mulheres não podiam operar os telescópios, mas Pickering percebeu que poderia economizar muito contratando mulheres como “calculadoras” (às quais pagavam-se bem menos que os homens), para analisar e processar as imagens astronômicas captadas pelos astrônomos.
Henrietta havia recebido um trabalho um tanto chato: medir e catalogar o brilho de estrelas da coleção de chapas fotográficas do observatório. Mas o que Pickering não imaginava é que aquele trabalho de Henrietta mudaria para sempre a história da Astronomia.
Quando começou a estudar estrelas variáveis, Henrietta descobriu e catalogou 1777 delas apenas nas Nuvens de Magalhães. Só que ela percebeu que algumas dessas estrelas, as chamadas variáveis cefeidas, apresentavam uma característica interessante: a sua luminosidade era proporcional ao seu período de variabilidade, e que essa relação era bastante precisa.
É que as estrelas variáveis cefeidas realmente pulsam em um período de tempo bastante constante. E o que Henrietta descobriu é que esse período dependia da sua luminosidade. Mais do que isso, ela percebeu que essa relação poderia ser utilizada para medir distâncias no Universo. Mas como isso poderia ser possível?
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