
No início do século 19, foi descoberta a múmia de uma mulher que poderia estar grávida quando morreu no Egito. As condições em que seu corpo se encontrava deixaram arqueólogos perplexos em busca de pistas sobre sua verdadeira identidade. Agora, duas reconstruções faciais feitas por especialistas forenses oferecem uma nova visão de como essa egípcia antiga pode ter se parecido, revelando assim um segredo bicentenário.
Usando tomografias e raios-X, cientistas trabalharam em reconstruções faciais da múmia, resultando em duas interpretações diferentes do aspecto da mulher. Em ambas as reconstruções realistas, a jovem de pele escura com olhos castanhos está olhando para frente.
“Técnicas modernas nos permitem realizar uma autópsia virtual da múmia,” afirmou Wojciech Ejsmond, codiretor do Projeto Múmia de Varsóvia, ao site Live Science. “Podemos olhar sob as ataduras e dentro de seu corpo. Pela primeira vez, seu rosto será mostrado para o público em geral e todos poderão olhar para sua face”.
É importante destacar que uma reconstrução facial arqueológica ou forensel não deve ser considerada um retrato exato do indivíduo, conforme ressalta Chantal Milani, uma analista forense que trabalhou no projeto. “No entanto, é baseado no princípio de que o crânio, como a maioria das estruturas anatômicas, tem detalhes, proporções e formas que são individuais para essa pessoa e se manifestarão através dos tecidos moles, adicionando caráter pessoal à aparência final”.
Ela explicou que o rosto que cobre a estrutura óssea segue regras anatômicas diferentes, assim, procedimentos padrão podem ser aplicados para reconstruí-lo, por exemplo, para estabelecer a forma do nariz. “O elemento mais importante é a reconstrução da espessura dos tecidos moles em inúmeros pontos da superfície dos ossos faciais. Para isso, temos dados estatísticos para várias populações em todo o mundo”.
Hew Morrison, também especialista membro do projeto, concorda. “Em um contexto histórico, o processo ajuda a trazer figurativamente o falecido de volta à vida, assim, fomentando o respeito e a sensibilidade para o cadáver objeto de pesquisa ou que está sendo exibido em museus”.
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