Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 20 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Misteriosa ‘cordilheira netuniana’ pode esconder exoplanetas

Misteriosa 'cordilheira netuniana' pode esconder exoplanetas

Astrônomos descobriram uma nova característica na distribuição de exoplanetas que pode ajudar a entender como esses corpos se formam perto de suas estrelas. 

Uma equipe formada por cientistas da Universidade de Genebra e do grupo Planetas do Centro Nacional de Competência em Pesquisa (NCCR), na Suíça, junto com pesquisadores do Centro de Astrobiologia (CAB) da Espanha, identificou a “cordilheira netuniana”. 

Essa estrutura fica entre duas regiões conhecidas: o “deserto netuniano”, onde há poucos planetas do tamanho de Netuno, e a “savana netuniana”, onde esses planetas são abundantes, mas em órbitas mais distantes.

O chamado deserto netuniano sempre intrigou cientistas por apontar peculiaridades nos sistemas planetários. Em um comunicado, Vincent Bourrier, professor assistente da Universidade de Genebra e coautor do estudo, disse que a cordilheira indica uma transição entre o deserto e a savana. “Ela marca uma região crítica onde alguns planetas migraram para mais perto de suas estrelas, resistindo à intensa radiação”.

Essa descoberta, publicada esta semana na revista Astronomy & Astrophysics, ajuda a esclarecer o enigma do deserto netuniano. Nessa região, planetas do tamanho de Netuno, chamados de “Netunos quentes”, são ausentes. Isso pode ocorrer porque a radiação estelar remove suas atmosferas, encolhendo-os. Já na savana netuniana, mais distante, esses planetas mantêm suas atmosferas e suas características físicas.

Desde a descoberta do primeiro mundo fora do Sistema Solar, na década de 1990, mais de seis mil exoplanetas foram identificados. Eles variam em tamanho, massa e distância em relação às suas estrelas. Para facilitar o entendimento, são classificados em grupos, como “super-Júpiteres” (maiores que Júpiter) ou “super-Terras” (mais massivos que a Terra). O termo “quente” descreve planetas que orbitam muito perto de suas estrelas.

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