
Astrônomos registraram em detalhes os momentos finais de uma estrela enquanto ela era engolida por um buraco negro. Nas imagens, feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, é possível observar um formato impressionante, semelhante ao de uma rosquinha.
Embora as imagens sugiram um fenômeno um tanto pacífico, a verdade é que esses eventos – conhecidos como “eventos de perturbação das marés” – são bastante violentos. Quando uma estrela se aproxima o suficiente de um buraco negro, a força gravitacional a rasga violentamente e devora seus gases enquanto libera intensa radiação.
Quem capturou o evento de maré AT2022dsb pela primeira vez, em 1º de março de 2022, foi uma rede de telescópios chamada de All-Sky Automated Survey for Supernovae (ASAS-SN ou “Assassin”).
No entanto, Hubble foi fundamental para ajudar a enxergar o que tinha ocorrido. Isso porque os astrônomos usaram um superpoder do equipamento, chamado de espectroscopia. Isto é, a sensibilidade ultravioleta para estudar a luz da estrela fragmentada – que inclui hidrogênio, carbono e muito mais.
E isso tudo só foi possível por uma característica peculiar dos buracos negros: eles são comedores confusos. Ao mesmo tempo em que a gravidade do buraco negro puxa o material estelar, a radiação sopra o material para fora.
Nesse caso, especificamente, a colisão energética foi suficientemente próxima da Terra (ainda que a 300 milhões de anos-luz de distância no centro da galáxia ESO 583-G004) e brilhante para que os astrônomos do Hubble fizessem a espectroscopia ultravioleta por um período mais longo do que o normal.
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