Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de fevereiro de 2023 · 2 min de leitura ·

São Sebastião, Petrópolis e sul da Bahia: essas tragédias têm relação com as mudanças climáticas?

São Sebastião, Petrópolis e sul da Bahia: essas tragédias têm relação com as mudanças climáticas?

Um total de 65 mortos, muitos feridos e desabrigados, além de uma imensa destruição ambiental e material provocada pelo maior acumulado de chuva que se tem notícia na história do país. Esse é o cenário da tragédia que se abateu na última semana sobre o litoral norte de São Paulo, em especial, o município de São Sebastião.

Como se sabe, infelizmente, esse não foi o primeiro registro de tempestades avassaladoras nos últimos tempos no Brasil.

Vimos quadros semelhantes em fevereiro do ano passado, em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, e no sul da Bahia, dois meses antes, quando um ciclone extratropical provocou chuvas tão intensas que diversas cidades entraram em estado de emergência e calamidade. O estado de Minas Gerais também foi assolado por enchentes provocadas por fortes temporais entre o fim de 2021 e o início de 2022. 

São diversos agentes que influenciam essas situações. Primeiro que essa chuva toda caiu sobre a Serra do Mar, uma região geologicamente instável e sujeita naturalmente aos deslizamentos de encostas e os decorrentes fluxos de detritos que atingem a planície litorânea e as praias.

A Serra do Mar foi formada por uma movimentação tectônica que ocorreu dezenas de quilômetros a leste da sua posição atual. Em milhões de anos, as escarpas recuaram em direção ao planalto por meio de sucessivos escorregamentos. No entanto, só houve registros de desastres nos últimos 80 a 90 anos, quando a ocupação urbana avançou na base e nos declives da serra. 

Particularmente, nos últimos 40 anos, a ocupação urbana avançou muito no litoral norte de São Paulo, e esse avanço se deu da forma mais agressiva possível. 

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