
Um artigo publicado recentemente na revista Communications Biology descreve um estudo que reproduziu o aparelho fonador (sistema responsável pela fala) de uma espécie de anquilossauro – grupo de dinossauros que viveram há cerca de 80 milhões de anos onde atualmente é a Mongólia e a China.
Logo depois que o corpo fossilizado de um Pinacosaurus grangeri foi descoberto na Bacia do Deserto de Gobi, na Mongólia, em 2005, seus ossos da garganta incrivelmente preservados foram analisados para compreensão de que função eles desempenhavam na respiração do animal.
Paleontólogos do Museu da Universidade de Hokkaido, no Japão, e do Museu Americano de História Natural, nos EUA, autores do mais recente estudo, sugerem que essas realmente seriam partes-chave de caixa de voz do pinacossauro, a primeira a ser descoberta em um dinossauro não-aviário.
Apesar da relação distante do animal com as aves, sua laringe apresenta várias semelhanças com as dos pássaros modernos. Na verdade, segundo os pesquisadores, a anatomia vocal dessa criatura parece ser um híbrido entre as caixas de voz de répteis e pássaros.
Cerca de 250 milhões de anos atrás, animais semelhantes a répteis na Terra, chamados de arcossauros, se dividiram em dois grupos: um com dinossauros e pterossauros, e o outro contendo crocodilos e jacarés. Um anquilossauro como o pinacossauro, dizem os aurores, pode ter sido algo entre essas duas linhagens.
“Assumir que os dinossauros fazem alguns sons de crocodilo é bastante seguro”, disse a paleontóloga Victoria Arbour, que não esteve envolvida no estudo, ao jornal The New York Times. “Essa é a anatomia básica com a qual eles estariam trabalhando. E então os pássaros desenvolveram essas maneiras adicionais de produzir sons, em que podem modificar os sons que saem de sua garganta de uma maneira mais matizada”.
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