Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de maio de 2023 · 2 min de leitura ·

Mais de 22% dos habitantes da Terra podem ser expostos a calor mortal até 2100

Mais de 22% dos habitantes da Terra podem ser expostos a calor mortal até 2100

Um artigo publicado na segunda-feira (22) na revista Nature Sustainability diz que a temperatura da superfície da Terra está a caminho de aumentar 2,7ºC acima dos níveis pré-industriais até 2100. Isso retira mais de dois bilhões de pessoas – 22% da população mundial projetada – da zona de conforto climático que favoreceu por milênios o desenvolvimento da nossa espécie.

Segundo a pesquisa, os países com maior número de pessoas enfrentando calor mortal neste cenário são Índia (600 milhões), Nigéria (300 milhões), Indonésia (100 milhões), Filipinas e Paquistão (com 80 milhões cada). Esses dados também foram apontados em outro estudo, publicado na revista Communications Earth & Environment em agosto do ano passado, conforme noticiado pelo Olhar Digital. 

“Essa é uma profunda reformulação da habitabilidade da superfície do planeta e pode levar potencialmente à reorganização em grande escala de onde as pessoas vivem”, disse o autor principal do estudo, Tim Lenton, diretor do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter, na Inglaterra.

Ele explica que limitar o aquecimento global à meta de 1ºC estabelecida pelo Acordo de Paris em  2015, reduziria drasticamente o número de pessoas em risco para menos de meio bilhão, ou seja, cerca de 5% das 9,5 bilhões de pessoas que provavelmente habitarão o planeta dentro de seis ou sete décadas.

O aumento de pouco menos de 1,2 °C no aquecimento até agora já amplificou a intensidade ou a duração de ondas de calor, secas e incêndios florestais além do que poderia ter ocorrido sem a poluição de carbono gerada pela queima de combustíveis fósseis e florestas.

“Os custos do aquecimento global são muitas vezes expressos em termos financeiros, mas nosso estudo destaca o custo humano fenomenal de não enfrentar a emergência climática”, alerta Lenton. “Para cada 0,1°C de aquecimento acima dos níveis atuais, cerca de 140 milhões de pessoas a mais serão expostas a calor perigoso”.

Compartilhe