Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de maio de 2023 · 2 min de leitura ·

Enguias estão ficando cegas para se adaptar à escuridão

Enguias estão ficando cegas para se adaptar à escuridão

As enguias que espreitam em cavernas subaquáticas sombrias parecem estar se ajustando à escuridão. Isso porque parte delas tem nascido cega de um dos olhos – e sem a pele sobre o órgão.

A recém-descrita moreia-de-olhos-de-feijão (Uropterygius cyamommatus) é a primeira espécie de enguia conhecida a habitar cavernas anquialinas – cavernas esculpidas em rocha vulcânica ou calcária conectadas ao oceano e cujos níveis de água flutuam com as marés.

O estudo sobre essa espécie de enguia saiu na revista científica Raffles Bulletin of Zoology, no final de março.

Durante expedições à Ilha Christmas, na Austrália, e à Ilha Panglao, nas Filipinas, os cientistas encontraram dois espécimes que não tinham olhos esquerdos visíveis, sugerindo que as enguias podem estar se adaptando ao ambiente sombrio ficando cegas, um olho de cada vez.

Apenas dois espécimes da Ilha Christmas reduziram os olhos esquerdos e não podemos saber se é natural ou se apenas danificaram os olhos depois de nascer. Mas as proporções de seus olhos são as menores que já vimos em moreias, então especulamos que pode ser o resultado de adaptação ao ambiente afótico ou com pouca luz.

Exploradores de cavernas capturaram essa espécie de enguia pela primeira vez na Ilha de Panglao em 2001. E vários espécimes estão alojados no Museu de História Natural Lee Kong Chian em Cingapura. Mas até agora, ninguém os havia reconhecido como sua própria espécie.

Compartilhe