Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de agosto de 2023 · 2 min de leitura ·

China descobre o que existe 300 metros abaixo da superfície do lado oculto da Lua

China descobre o que existe 300 metros abaixo da superfície do lado oculto da Lua

Em 2018, a missão não tripulada Chang’e-4, da China, fez história ao conseguir pousar com sucesso no chamado lado oculto da Lua. Desde então, equipado com tecnologia de ponta, o rover Yutu 2, que viajou a bordo da espaçonave, vem capturando imagens abrangentes das crateras de impacto e coletando amostras dos minerais presentes nas profundezas do satélite natural da Terra. 

Cinco anos depois, dados do rover possibilitaram desvendar os primeiros 300 metros da superfície lunar – é como se a Lua fosse um daqueles bolos de aniversário com várias camadas, com cada uma delas revelando mais detalhes sobre uma história evolutiva que se desenrolou por bilhões de anos.

Um artigo publicado este mês no Journal of Geophysical Research: Planets descreve os resultados dessa investigação profunda e inédita realizada pela China por meio de uma tecnologia chamada Lunar Penetrating Radar (LPR), presente no Yutu 2.

Segundo o principal autor do estudo, Jianqing Feng, pesquisador astrogeológico do Instituto de Ciência Planetária, em Tucson, no estado norte-americano do Arizona, esse dispositivo envia sinais de rádio para as profundezas da superfície da Lua. Então, ele recebe de volta ondas de rádio vindas de estruturas subterrâneas (como ecos), que permitem aos cientistas criar um mapa da subsuperfície lunar. 

Não é a primeira vez que o LPR do Yutu-2 traz revelações sobre a composição abaixo do solo lunar (ele já tinha sondado os primeiros 40 metros de superfície em 2020). No entanto, o instrumento nunca havia penetrado tanto como agora.

Segundo Feng, esses novos dados sugerem que os 40 metros iniciais da superfície lunar são compostos por várias camadas de poeira, areia e rochas quebradas. Escondida nesses materiais estava uma cratera, que foi formada quando um grande objeto bateu na Lua. A equipe de pesquisadores levanta a hipótese de que os escombros ao redor dessa formação sejam destroços do impacto. Mais abaixo, eles descobriram cinco camadas distintas de lava que se infiltraram bilhões de anos atrás.

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