Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de outubro de 2023 · 2 min de leitura ·

A natureza vai acabar? Esse professor pensa que sim; entenda

A natureza vai acabar? Esse professor pensa que sim; entenda

Os humanos são a força dominante que impulsiona a mudança em todos os ecossistemas. Justamente por conta da ação humana, os ecossistemas estão sendo levados além dos pontos de colapso a uma taxa mais rápida. É o que escreve o professor Derek Lynch, que leciona sobre agronomia e agroecologia na Universidade de Dalhousie (Canadá), em artigo publicado no The Conversation. No texto, ele questiona se a natureza, como a conhecemos, vai acabar.

Segundo o professor, nenhum ecossistema em qualquer lugar está protegido da influência dos humanos, graças à “nossa influência avassaladora na atmosfera, hidrosfera e biosfera”. Lynch também destacou que incidentes de zoonose reversa – nos quais os humanos se tornaram o reservatório e a fonte de infecção para animais domésticos e selvagens – ocorridos na pandemia de Covid-19 “enfatizaram como o destino da humanidade e de todas as criaturas que compartilham a biosfera está interligado”.

Como resultado do Antropoceno – período no qual a atividade humana tem impacto enorme no planeta – a biodiversidade global está em crise, com a extinção de espécies ocorrendo a uma taxa mil vezes maior do que a pré-humana, escreve o professor. E ele acrescenta que enfrentar essa crise “é um dos nossos maiores desafios”.

O projeto Half-Earth sustenta que apenas preservando 50% do habitat superficial global preservaremos 85% das espécies. Mas reservar terras para a natureza, como em parques e reservas, muitas vezes significou privar os povos indígenas de suas terras, em vez de respeitar e priorizar o papel dos povos indígenas na preservação da biosfera.

Por outro lado, o professor aponta que os humanos, enquanto espécie, têm reconhecido como a biodiversidade também pode ser apoiada em todos os lugares. “Paisagens urbanas podem sustentar uma maior biodiversidade, como polinizadores, e paisagens agrícolas podem contribuir, dependendo da intensidade da agricultura”, explica Lynch.

O docente escreveu que alguns acadêmicos, ao se tornarem conscientes dos profundos efeitos das mudanças climáticas, declararam que o muro entre a história humana e a história natural agora estava quebrado.

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