Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Genes ancestrais desvendam mistério sobre esclerose, diz estudo

Genes ancestrais desvendam mistério sobre esclerose, diz estudo

A esclerose múltipla (EM) é mais comum entre brancos do norte da Europa do que entre populações ao sul do continente. Segredos ancestrais podem conter a chave para explicar isso. E uma equipe internacional de pesquisadores alega ter desvendado esse mistério sobre a doença autoimune.

A ciência encontrou centenas de genes associados à doença autoimune até hoje. No caso dos europeus do norte, até um quinto tem uma variante genética, a HLA-DRB1*15:01, que transmite risco três vezes maior de desenvolver a doença. O mistério é de onde essa variante veio e por que persistiu (e se espalhou).

A equipe de pesquisadores, liderada por William Barrie da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, agora acredita estar num novo caminho. O artigo sobre o estudo realizado por eles foi publicado na revista científica Nature. 

Barrie e seus colegas combinaram dezenas de genomas dinamarqueses medievais e pós-medievais recém-sequenciados a dados de sequências antigas. Assim, criaram um banco de dados de indivíduos representando dezenas de milhares de anos de humanidade na Eurásia. E os pequisadores encontraram “padrões impressionantes” nas variantes genéticas associadas à EM atualmente.

Trabalhando de trás para frente para rastrear a prevalência das variantes ao longo do tempo, os genes pareciam ter origem numa região da Europa Oriental, que agora abrange a Ucrânia, o sudoeste da Rússia e o oeste do Cazaquistão, chamada de Estepes Pônticas. Cerca de cinco mil anos atrás, pastores dessa região, os Yamnaya, migraram para o oeste em direção ao norte da Europa. E levaram seus genes consigo, claro.

Onde quer que esses genes fossem, as variantes associadas à doença autoimune pareciam passar por uma “seleção positiva”. Isso sugere que eles já tiveram algum valor de sobrevivência, apesar de sua ligação moderna com o declínio neurocognitivo. “Agora podemos entender e buscar tratar a EM pelo que realmente é: o resultado de uma adaptação genética a certas condições ambientais que ocorreram em nosso passado pré-histórico”, diz o neuroimunologista Lars Fugger, da Universidade de Oxford, em artigo publicado pela Universidade de Cambridge.

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