Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Naves com laser miram ondas gravitacionais no espaço; entenda

Naves com laser miram ondas gravitacionais no espaço; entenda

A Agência Espacial Europeia (ESA) aprovou o primeiro experimento para medir ondas gravitacionais no espaço: o Laser Interferometer Space Antenna (LISA). A construção da missão espacial multimilionária começará em 2025, com lançamento planejado para 2035.

O laser usará feixes de laser, que percorrerão 2,5 milhões de quilômetros no Sistema Solar, para detectar ondulações gigantescas no espaço-tempo causadas por fusões entre buracos negros supermassivos, por exemplo.

O experimento envolve medir a distância que a luz laser percorre entre duas massas, milhões de quilômetros distantes, com precisão de um trilionésimo de metro. Tudo isso enquanto nada além do próprio espaço-tempo afeta o movimento das massas.

A “mira” do laser será sensível a ondas gravitacionais com comprimentos de onda entre 300 mil e três bilhões de quilômetros. Embora fazer medições tão precisas à distância seja desafiador, é mais fácil no espaço do que na Terra, segundo Karsten Danzmann, diretor do Instituto Max Planck de Física Gravitacional, em entrevista à revista Nature. A parte difícil é tornar a tecnologia robusta o suficiente para todas as eventualidades.

O LISA poderá observar ondas gravitacionais de frequência muito mais baixa do que as detectadas na Terra. Assim, vai dar para detectar fenômenos como buracos negros orbitando entre si. Esses são mais massivos e distantes do que os observados pelo Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro a Laser (LIGO), que detectou ondas gravitacionais pela primeira vez em 2015.

Além da fusão de buracos negros supermassivos, o laser conseguirá medir sinais de sistemas em estágios iniciais de colisão e até fenômenos completamente novos, como estrelas anãs brancas colidindo. Espera-se que também detecte um zumbido de fundo de ondas gravitacionais criadas no Universo primitivo e talvez sinais dos primeiros buracos negros.

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